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Entrevista com Inocentes, que está de disco novo e turnê na Europa agendada

Inocentes em formação que dura mais de duas décadas  [Foto: Murilo Amâncio]
Por Ricardo Cachorrão Flávio

Banda formada em 1981, ícone do movimento punk, já passaram por tanta coisa dentro do rock nacional, que já rendeu muita história, contada em livro e muitos discos, e hoje se encontram em sua melhor forma, os INOCENTES chegam em 2019 cheios de novidades.

No próximo dia 12 de abril, será lançado o novo EP deles, intitulado “Cidade Solidão”, numa edição especial, em vinil de 7”, em lançamento caprichado da HBB (Hearts Bled Blud Records), e emendado a isso, a primeira turnê europeia dos rapazes, com direito a show no Rebellion Festivals, o maior e mais importante festival de punk rock do mundo, entre 1 e 4 de agosto, em Blackpool, Inglaterra.

Diante das novidades, batemos um papo com Clemente Nascimento, guitarra e voz, Ronaldo Passos, guitarra, Anselmo Monstro, baixo e Nono, bateria, a formação mais duradoura da banda, junta há 24 anos, apresentando um entrosamento e maturidade bons de se ver.

Meus amigos, me falem um pouco sobre esse trabalho novo, o EP“Cidade Solidão”, em linhas gerais, como ele nasceu, o que vocês esperam desse formato, etc e tal…

CLEMENTE: Cara, quando você tem uma banda que tem 38 anos de estrada, pro bem e pro mal, você é uma banda estabelecida, né? O que é legal! Mas... tem aquela coisa que as pessoas querem ouvir a história, estão mais ligadas na história, e, assim, já não ouvem música, tipo, um álbum inteiro hoje em dia, né? O que é difícil... então a gente resolveu ficar livre! A gente não precisa lançar, ficar pensando e investindo em 14, 15 músicas, que poucas pessoas vão ouvir, então a gente pegou a produção, as músicas que tinham, que tavam rolando, que a gente tinha feito, e reuniu num EP!

E “Cidadão Solidão”, porque essa cidade é tão imensa, como diz o Supla, e as pessoas estão sempre conectadas, falando com um monte de gente, mas na verdade, elas estão cada vez mais sozinhas, porque elas falam com as pessoas, parece que você tá com um monte de gente, quando você fala com as pessoas pelas redes, mas na verdade, você tá sozinho no seu quarto, você tá sozinho em algum lugar falando com as pessoas, no fundo você tá sozinho, então, esse é o mote de “Cidade Solidão”.

E estes novos formatos de hoje, eles permitem experiências, eles permitem você brincar, então foi isso que a gente fez, a gente vai lançar um compacto, que é uma coisa que a gente gosta muito, um EP de 7”, e a gente, como punk, já ouviu muito isso a vida inteira! Então vai ser legal essa oportunidade de lançar esse EP... quatro músicas porque são as quatro que saíram, que tinham... “Escombros” é uma música que há muito tempo a gente queria regravar e deixar de uma maneira que a gente curtisse, então pintou a oportunidade, porque não é um álbum, onde tudo tem que ser inédito e tal, é um EP, um disco entre álbuns, então a ideia é poder se divertir, lançar algumas músicas novas, no formato que as pessoas estão consumindo hoje em dia e experimentar. E uma experiência, então é legal! Pode ser que a gente se arrependa dessa experiência depois, mas, o que não quer dizer que não seja legal, mas, como eu disse, experiência é isso, vamos experimentar e ver no que vai dar.

NONÔ: Nesse EP acho que conseguimos criar um trabalho diferenciado em um momento em que a música passa por um dinamismo muito intenso, onde tudo chega e vai muito rápido e acaba perdendo um pouco do seu valor, do seu apreço. Optamos em compor um material pequeno, pois acreditamos que se nos estendêssemos nas composições estaríamos desperdiçando material devido a esse cenário atual da música.  A nossa vantagem é que contamos com um peso de 38 anos nas costas e sempre teremos alguns ouvidos dispostos a nos dar atenção, por isso nos inspiramos na essência de nossa história com uma pegada atual e com o entrosamento que adquirimos ao longo desse tempo, o resultado foi bem satisfatório para nós.

Para harmonizar com toda essa idéia decidimos lançar um compacto em vinil, que apesar de parecer um lance saudosista ele é totalmente inovador e desafiador nos dias de hoje, onde só se fala de formato digital. Nossa expectativa é que nossos fãs aceitem bem esse EP e tenham algo diferente em sua coleção, pois pretendemos continuar escrevendo nossa história olhando para frente, mas sem nunca esquecermos dos caminhos e das curvas que nos balizaram até aqui.

RONALDO: A ideia do EP... gravamos um disco, fizemos uma coisa com 4 faixas, que é o que acontece muito hoje em dia, porque não adianta você lançar um físico agora, porque você tem essas plataformas digitais, que aos poucos você vai lançando, né? A coisa funciona assim hoje em dia, você vai lançando singles. Mas, tipo assim, nós estamos lá na HBB (Hearts Bled Blue Records), e sabe, os caras acharam legal também fazer um físico e, a gente merece também esse físico, né? A banda tem trinta e poucos anos e acho que tudo o que lançarmos, eu acho que é importante ter físico, porque tem gente que gosta de ter a paradinha na mão lá, e isso é legal. As perspectivas que temos sobre isso, bom, música é meu trabalho! Você tem que ter perspectivas de resultado de trabalho, né? Sabe, e tudo isso tem que ser muito positivo, tem que agradar a galera que gosta da gente, tem que conquistar um público novo, porque trabalho de música é isso! A perspectiva é colher fruto do seu trabalho! Pelo menos, eu penso assim! Normal, né? Acho que todo mundo, as pessoas vêm no músico um trabalho muito divertido, e de fato é um trabalho muito divertido! Você viaja, você faz o que você gosta! Pô, você sobe num palco pra fazer um som pra galera se divertir, cara! E isso é incrível!

Eu espero que tudo o que a gente está planejando dê certo, que é fazer um clipe e lançar junto, é tocar no MIS (Museu da Imagem e do Som) agora esse final de semana e essas são as expectativas do lançamento, que tudo corra bem... e que as pessoas, os formadores de opinião ouçam com atenção, ouça todas as músicas, sabe? Tem umas letras legais! Embora a gente não tá mais naquela coisa, levantando bandeira pra falar de política, mas... não é porque eu toco com o Clemente, que eu não vou falar que o cara escreve bem, e ele escreve bem pra caralho! Ele coloca as ideias dele lá, nesse disco tem duas músicas minhas com ele, que é “Cidade Solidão” e “Fortalece”, que os arranjos musicais são meus, e as letras dele, e as outras duas são dele, né!

ANSELMO: O EP “Cidade Solidão”, pô, pra mim é o primeiro vinil oficial com os Inocentes, né? Quando entrei na banda já era só CD, um EP, com 4 músicas e como fazia um bom tempo que o Inocentes não lançava nada, a gente optou por isso, pra dar uma acelerada, vamos fazer um EP, que é algo legal, lá fora tem uma saída bacana, e pra mim, pessoalmente, tá sendo muito legal porque eu curto esse lance de vinil, né? Pretendemos fazer um CD mais pra frente, mas, queríamos fazer algo novo agora, ir trabalhando.

“Cidade Solidão”, na minha concepção, é um saudosismo, uma mistura de tristeza, com alegria, do que era verdade e passou a ser mentira, uma mistura de conceitos e sentimentos, eu penso assim. Com certeza atingirá o público antigo, isso é fato, principalmente nas letras, o Clemente compõe muito bem e a moçada nova também, consegue ter aquela sensibilidade de captar a mensagem, né? “Cidade Solidão”, não só aqui em São Paulo, mas passamos tanta coisa negativa, algumas coisas positivas, daí vejo que o nome “Cidade Solidão” se encaixou perfeitamente, no meu ponto de vista. Não sei os demais, mas pra mim, é isso aí. E eu to curtindo muito as músicas novas, estão com uma pegada legal, e isso tudo só vem a somar na história dos Inocentes. Pretendemos fazer um CD completo mais adiante, mas agora, a gente precisava disso, um recomeço em curto tempo, então um EP caiu certinho com o que a gente precisava, da banda dar sequência ao seu trabalho.

E o legal também é que tudo vem a favorecer, estamos lançando o EP pela HBB, que estão fazendo um puta trampo legal, lançando também camisetas novas, com estampas novas dos Inocentes, e aparecer a oportunidade dessa tour britânica ao mesmo tempo. Tudo isso é uma soma de várias coisas legais acontecendo, numa fase bem bacana da banda, uma fase diferente, e isso tudo vai nos empurrando à frente.

Mudando de assunto, pela primeira vez, vocês irão tocar na Europa, eu gostaria que me dissessem quais são suas expectativas, o que esperam encontrar por lá?

ANSELMO: Cara, o lance dos Inocentes irem pra gringa, como todo mundo fala, mais precisamente, pra Inglaterra, poxa, pessoalmente, como você sabe bem, no fim dos anos 70, começo dos anos 80, era um sonho pra gente, pô conhecer a Inglaterra! Você sonhava, né? Ver certas bandas de fora, como Buzzcoks, a gente nunca imaginaria que iria ver essas bandas, apesar que tivemos o prazer de ver muitas delas aqui no Brasil, eu toquei com muitas delas... Lurkers, Rezillos... jamais esquecerei! E pra nós, estar pisando na terra da Rainha, no berço do punk rock, tocando ao lado de bandas que foram pioneiras, bandas que fizeram parte de nossa adolescência, não tem palavras pra expressar! Eu to bem feliz, to muito feliz mesmo! Era um sonho de mais de 35 anos e está sendo realizado agora com bônus, porque eu vou tocar ao lado de todas essas bandas bacanas. Você mesmo sabe a história dos velhos punk rockers daqui, e sabe que é sonho de muitos, e eu estou tendo esse privilégio, junto dos Inocentes de ter essa oportunidade de estar lá na Inglaterra e tocar ao lado dessas bandas. Não só pra mim, mas tenho certeza de que pra todos da banda, tá sendo muito legal toda essa parada. Não é fácil, mas vamos lá!

CLEMENTE: Cara, a expectativa de tocar na Inglaterra são as melhores possíveis, na sexta-feira passada conhecemos o Darren Russell, que foi o cara que criou o festival e que tava no Brasil, com o Deedy, da banda Subalternos, apresentou ele pra gente, e você vê que o cara tava feliz de levar a gente pro festival, um puta respeito, a gente tá recebendo um tratamento bacana, estamos sendo divulgados nas redes do festival, no Instagram do festival e tudo, e pra gente... demorou pra gente fazer uma turnê  gringa, e quando a gente tá indo, tá numa situação muito legal, com um tratamento super bacana e um reconhecimento do nosso trabalho, e isso é super importante, né? Vamos fazer um show dia 30 em Londres, depois dia primeiro tocamos em Blackpool, lá no festival, o Rebellion, que é o maior festival punk do mundo, depois a gente toca numa cidade pequenininha e depois toca em Londres de novo, um acústico, numa churrascaria de um brasileiro lá, da Made in Brazil , mais confraternização mesmo, e agora acabamos de fechar um festival na Finlândia, e vamos tocar lá porque os caras fizeram acontecer, eles querem, vão pagar nossas passagens de Londres pra lá, estadia, é num festival. Cara, é o melhor tratamento possível, a gente demorou pra ir, mas estamos indo de uma maneira bem bacana, num esquema muito legal, estamos muito felizes e vamos mostrar nosso som como ele merece ser mostrado lá.

NONÔ: Acho que esse convite veio em um momento importante para nós (antes tarde do que nunca), pois como disse, estamos em uma fase onde nosso entrosamento no palco está bem alinhado e acredito que representaremos bem todo a nossa história. Esse festival é mais um motivo para que a banda ganhe sobrevida pois nos estimula a continuarmos na estrada fazendo aquilo que gostamos . Estamos percebendo que teremos uma boa receptividade, pois outros convites para shows já estão aparecendo em outras cidades da Inglaterra e temos até uma possibilidade de irmos para a Finlândia. Estamos nos desdobrando para conseguirmos alinhar toda essa logística da ida para a Europa pois temos trabalhos, família, compromissos intensos no nosso dia dia , mas faremos o que for necessário para levar a nossa música tocada ao vivo para o outro lado do Oceano.

RONALDO: Perspectivas pra Europa... Mano, é muito louco o que está acontecendo! De repente é um sonho, né? Você está indo pra Europa e o momento é tão propício pra gente ir! A banda tá tão legal, eu acho bacana, porque a gente não tá mais naquela coisa de moleque, nós estamos bem maduros em todos os sentidos. A banda já tem a personalidade dela formadíssima, esse é o som que a gente faz e a gente vai chegar na Europa e vai... mandar bala, cara! Vamos fazer o que a gente sabe fazer! É isso brother, tamo nesse role aí e vamo que vamo!

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