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"Libido", novo disco dos Autoramas, é rock and roll para ninguém botar defeito

A nova formação dos Autoramas em "Libido", lançado pela HBB
Por Bruno Eduardo

Não é de hoje que o Autoramas carrega a fama de ser uma das bandas mais importantes do rock nacional. O grupo que completa vinte anos de estrada, sempre teve como principal virtude a honestidade em sua proposta, ganhando assim um respeito raro entre tribos de diversas origens - todas representadas por essa iniciativa de arte independente. E grande parte desse mérito pode ser creditado na conta de Gabriel Thomazum dos maiores compositores de canções rock que esse país já conheceu. Isso fica ainda mais evidente em Libido, oitavo disco de estúdio do Autoramas, que agora conta com Jairo Fajer e Fábio Lima na formação, além da dupla Gabriel Thomaz e Érika Martins.

Com uma sonoridade mais imersa no garage rock que seu antecessor (O Futuro dos Autoramas, de 2016), Libido é - sem exagero - um dos discos mais interessantes que o rock nacional produziu na última década. O álbum possui uma sonoridade bastante peculiar e é essencialmente carregado pelas guitarradas viajantes de Gabriel Thomaz, que usa e abusa dos vibratos e drives (ele tem um ouvido realmente afiado para esse tipo de recurso). Mas para entender melhor a resultado de Libido, é importante registrar também que as canções contaram com um ótimo trabalho de engenharia, inclusive passando pelas mãos do cultuado Jim Diamond, que já trabalhou com The White Stripes e The Sonics



O álbum abre com a enérgica "Sofas, Armchairs and Chairs", guiada por um riff de guitarra+baixo levanta-defunto, e que ganha um impressionante upgrade na voz de Érika Martins. Com um refrão chiclete, "Stressed Out" é o típico Autoramas e já nasce candidatíssima a hit rock do ano. Outras que seguem esse mesmo roteiro de rock de garagem com o selo Autoramas é "Homem-cliché" e a ótima "Creepy Echo". Alucinante, "Ding Dong" é uma locomotiva rock desenfreada, feita na medida para mexer quadris e bater cabeça - impossível não lembrar do genial John Dwyer e seu Thee Oh Sees.
   
Uma das coisas mais legais em Libido, é a impressionante capacidade criativa do Autoramas, que consegue reunir várias linhagens do gênero (principalmente anos 60-70) sem perder o rumo da proposta. Isso chega devidamente comprovado na dobradinha "No Futuro" / "Eu Sei Mas Eu Não Sei" - distintas na concepção sonora, mas untadas de forma brilhante pelo conceito artístico do álbum. Já o despojamento típico que o rock merece também é resgatado numa cápsula de três minutos, que leva o nome de "Coisa Pra Caramba Pra Fazer", e que acaba reforçando de quebra, aquilo que o Autoramas sempre fez questão de lembrar: que o rock and roll é feito de independência artística e instinto juvenil. Discaço.
Cotação: 

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