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Vocalista do Korn mistura eletro rock e música indiana em seu primeiro disco solo

Cantor do Korn demorou uma década para lançar Black Labyrinth, seu álbum solo
Por Lucas Scaliza

Um álbum solo de Jonathan Davis está sendo ensaiado e esperado há mais de 10 anos. Ele formou uma banda, lançara dois ao vivo, e nada de estúdio, até que o grupo se desfez após a morte do guitarrista Shane Gibson. Com seu nome original, é o renomado vocalista do Korn, uma das bandas que melhor se apoderou e evoluiu o nu metal. E desde 1987, Davis é também um cara que gosta de ser DJ e experimentar diferentes batidas e tendências eletrônicas. Essa sua faceta é conhecida como JDevil.

Black Labyrinth, enfim seu disco solo de estúdio, combina toda a musicalidade que o cantor vem desenvolvendo na última década. Não é um disco de nu metal, como se fosse um projeto paralelo ao Korn, mas o álbum tem sua porção mais roqueira, com riffs, baterias nervosas, baixos encorpados e seu drive inconfundível, como em “Everyone”, “The Secret”. Tem também rock moderno e mais comedido que poderia sem problema nenhum ser um single nos dias de hoje, como é o caso da abertura “Underneath My Skin”, “Walk on By” e o encerramento “What It Is” – que está na trilha sonora do filme American Satan [2017].

Fazendo uma mistura das sonoridades de banda e eletrônica, misturando um pouco o que já ouvimos no próprio Korn e também na carreira solo de cantores de rock como Mark Lanegan e Chris Cornell, ele consegue um timbre moderno que cai muito bem a sua voz e a sua personalidade, mas muitas canções parecem ser muito próximas entre si – como é o caso da dobradinha “Happiness” e “Your God”. Isso faz com que Black Labyrinth seja muito instigante e bom de ouvir. É possível até ensaiar uns passos de dança entre uma faixa e outra, mas acaba não sendo tão original quanto poderia. Apesar de tantos anos exercitando o rock’n’roll em estúdio e nos palcos e apesar de toda a proximidade com a música eletrônica desde a adolescência, soa como se Jonathan Davis estivesse sentindo o terreno com o primeiro disco solo, deixando de propor uma experiência mais exigente. Nesse contexto, Euphoria Morning [1999], o primeiro disco solo de Cornell, foi uma surpresa muito maior 19 anos atrás.

  
Embora seja, sobretudo, um disco de rock com textura sintética, há também música indiana em seu miolo. “Final Days” é a que mais se destaca dentro dessa estética porque justamente deixa o rock e a configuração de banda de lado, apostando realmente em instrumentos da música indiana, como a cítara. A segunda metade de “Basic Needs” também envereda por aí e temos um momento mais experimental do disco, um vislumbre do tipo de “risco” que poderíamos ver JD correr mais vezes ao longo do álbum. A música indiana também não é novidade na carreira do músico, já que anteriormente gravou com Shenkar, compositor que se dedica ao violino na música tradicional indiana e ao jazz.

O time de músicos que acompanha Davis é exemplar também. Wes Borland, o icônico guitarrista do Limp Bizkit, toca em cinco faixas, sendo três delas bastante climáticas. Miles Mosley, o incrível baixista que grava com Kamasi Washington e com o coletivo The West Coast Get Down, também está em Black Labyrinth, assim como Zachary Baird e Ray Luzier, respectivamente tecladista e baterista atuais do Korn. Para as faixas com sons indianos, ele voltou a trabalhar com Shenkar e também convidou Djivan Gasparyan, que toca a flauta duduk. Além da voz, coube a JD a programação de batidas eletrônicas, guitarras, teclados, violino e cítara também.

As letras não são positivas. Há uma canção sobre a guerra perpetrada pelos EUA no Iraque, há algumas que apontam o dedo para a cara da religião, e outras que relatam diversos estados de tristeza e sofrimento. Não chega a ser de cortar os pulsos, mas deixa claro que se o tal labirinto negro que dá nome ao disco tem saída, nem Davis sabe onde está.

Black Labyrinth é um esforço que enfim dá forma a carreira solo de Jonathan Davis, mas revela muito pouco sobre ele, além do que já conhecíamos de seus méritos, preferências e influências. Bom de ouvir, mas fica a sensação de que podia ser muito mais, com menos faixas medianas e mais ambição artística.
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