domingo, 24 de setembro de 2017

Rock in Rio 2017: O melhor! The Who simboliza conceito do rock em apresentação histórica

The Who faz show de gala na primeira vez no Rio (Foto Fernando Schlaepfer)
Por Noemi Machado

"Mantenham a calma, aí vem o The Who". Pede coisa difícil não, amigo.

“Fuck, fuck, fucking Rio!” expressa bem o que os fãs brasileiros da mais lendária banda de rock de todos os tempos sentiam, depois de uma espera de 53 anos. Capitaneada pro Pete Towshend, Roger Daltrey e Zak Starkey, finalmente: The Who em terras brasileiras pra chamarem de suas.

"I Can’t Explain" tenta nos trazer a inexplicável importância da banda britânica na história do rock mundial, mas o que traz é uma euforia absurda da parte dos fãs que estavam lá por eles. Com a maior parte da plateia formada por fãs de Guns N' Roses, que tocaria a seguir, "Who Are You" deve ter vindo à mente de alguns desses : “aaaaaah, então são eles...”. Afinal, se The Who não frequentou como gostaríamos as nossas rádios brasileiras, os seriados, filmes e games cumpriram a função de trazer à nova geração pérolas preciosas de sua extensa e impecável discografia.

E se de games falamos, de guitar hero devemos falar. Towshend esteve como sempre, à vontade no palco, um tio numa jam do churrasco de casa. Mas ao contrário do teu tio, ele foi ovacionado por parte da plateia a cada girada de braço na guitarra, gesto criado por ele e imitado por gerações de guitarristas afora. The Who, sem o menor receio de afirmar, influencia, direta ou indiretamente, cada banda de rock do planeta. Taí "My Generation" e "Pinball Wizard" pra provar.

Daltrey nos apresenta uma surpreendente, admirável e invejável, nessa ordem, forma física e vocal, do alto de seus 73 anos. O vocalista tem a ingrata obrigação eterna de cuidar de sua saúde, seu peso e de suas não eternas cordas vocais, para manter a qualidade, na medida do possível, da voz que o levou ao estrelato. Mas Daltrey abusa, chega às notas altas, sustenta notas longas com uma firmeza incrível, e ainda não peca por falta de emoção pra transmitir e levar às lágrimas quem teve o privilégio de assisti-lo. Mereceu um pedido de casamento, até. Mas Daltrey abusa, chega às notas altas (adaptadas a tons mais baixos – o que talvez devesse ter feito um outro rock star no dia anterior).

Zak Starkey merece um capítulo à parte. Com a difícil incumbência de conduzir o andamento do show mais esperado do festival, com uma execução inacreditável das baquetas, pode-se dizer que a alma de seu padrinho, Keith Moon, primeiro baterista da banda, o cara que lhe deu a sua primeira bateria (diz a lenda que contrariando o pai do garoto, ninguém menos que Ringo Starr) baixou ali. O moleque (de 51 anos) DES-TRU-IU, honrando o banquinho por trás do bumbo.

"Amazing Journey" me transporta aos meus 9 anos, quando um grande emissora de TV exibiu em horário nobre (imagina uma coisa assim hoje em dia?) a ópera rock 'Tommy', com musicas e cenas que me marcaram para sempre. E a jornada continua, passando por "Sparks", "Baba O’Riley" e fecha com "Won’t Get Fooled Again", já tendo conquistado toda a plateia, que mesmo cansada por um dia inteiro de atividades e shows na Cidade do Rock, e esperando pela ultima atração da noite, se rende a um dos maiores shows da história de todas as edições do Rock In Rio.

The Who é chamada por muitos por banda conceitual. Não acho. The Who é o próprio conceito do mais puro rock and roll.

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