quinta-feira, 25 de maio de 2017

Papa Roach mantém coerência sonora em 'Crooked Teeth', seu nono disco de estúdio

Papa Roach retorna com disco feito na medida para seus fãs
PAPA ROACH
"Crooked Teeth"
Eleven Sevem Music; 2017
Por Bruno Eduardo


Papa Roach é uma das poucas bandas sobreviventes do finado nu-metal que continua na ativa lançando discos e fazendo turnês mundiais sem nunca ter dado uma pausa. É verdade que o grupo não chegou a repetir o mesmo sucesso comercial de seu segundo trabalho de estúdio - o consagrado 'Infest', que traz o hit rap-metal, "Last Resort". No entanto, eles sempre mantiveram uma persistência saudável na fórmula rock de guitarras+refrões grudantes, resultando numa coleção de hinos radiofônicos competentes em toda carreira ("She Loves Me Not", "Scars", "Hollywood Whoore", "Face Everything And Rise", são alguns exemplos). Para alegria dos fãs, 'Crooked Teeth', nono disco de estúdio do grupo, segue essa mesma regra e não decepciona.

Se no trabalho anterior ('F.E.A.R.'), o flerte com os sintetizadores foi o ponto principal, aqui o grande apego é com o rap e o hip hop. "Crooked Teeth", primeira música liberada aos fãs e apresentada ao vivo aqui no Brasil no fim do ano passado [saiba como foi AQUI], é um bom exemplo disso. "My Medication" também. Ambas possuem uma junção forte de guitarras e vocais baseados no rap e representam bem o que é o som do Papa Roach, relembrando até sua fase um pouco mais old school. Outra que segue a característica da banda, só que adicionada por um refrão ganchudo é "American Dreams", que inclusive já está até rolando em algumas FMs brasileiras. 

A capacidade de criar o que muitos lá fora chamam de 'hinos rock', fica comprovada na melodia certeira de "Help", canção típica do Papa Roach e séria candidata a ficar para sempre nos setlists dos shows. Mas para quem achou que a grupo ficaria apenas na zona de conforto, se enganou. Há o mergulho pop em "Periscope" - que conta ainda com a participação de Skylar Grey, cantora americana que já se meteu em alguns projetos da galera do Linkin Park - e também na genérica "Sunrise Trailer Park", com o rapper Machine Gun Kelly dando sua contribuição numa das faixas mais fracas do álbum. Outra que também sai um pouco do rock tradicional mas que acerta o alvo em cheio é a vibrante "Born For Greatness".

No entanto, os melhores momentos do disco ficam reservados para quando a banda segue o seu caminho de sempre, principalmente quando estão apoiados nos riffs de guitarra de Jerry Horton e na sempre boa performance do vocalista Jaccoby Shaddix - que raramente decepciona. É assim em "Traumatic", "None Of The Above" e na visceral - e talvez maior pancada do disco - "Ricochet". Destaque também para o ótimo baterista Tony Palermo, que distribui uma grande variedade de arranjos e viradas ao som do grupo (ouça "Nothing" que é um show à parte). 

Em 'Crooked Teeth', o Papa Roach oferece uma experiência auditiva sólida e infecciosa, que não reescreve a história do rock e nem pontua uma nova fase de sua carreira. Mas é uma trilha sonora concisa e feita na medida para seus fãs, que ganharam um conjunto de canções perfeitas para serem cantadas de cabo a rabo nos shows da banda.

Bruno Eduardo, 38 anos, jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa Arariboia Rock News nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Como crítico cultural, foi Editor-chefe e colaborador do Portal Rock Press, e colunista do blog "Discoteca Básica" da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas oficiais de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Abril Pro Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Faith No More, The Offspring e Titãs.

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