segunda-feira, 3 de outubro de 2016

E aí, Coverdale, vai ou fica? Saiba como foi o show do Whistesnake no Rio

Foto: Amanda Respicio
David Coverdale segue na dúvida quanto ao futuro da carreira
Por Rosangela Comunale

Reenergizante. A palavra pode muito bem resumir o atual momento musical de David Coverdale e sua trupe do Whitesnake. Afinal de contas, não é à toa que, em recente entrevista a uma rádio lá da Macedônia, o cara assume que o fato de ainda escrever novas músicas e a companhia de novos músicos americanos simplesmente o “revitalizaram” e cogitaram a ideia de, por ora, não se aposentar.

Apesar desse papo todo de “revitalização”, Coverdale deixou o povo do Rio com a famosa “pulga atrás da orelha”. Ao ensaiar um “obrigado” e falar com o público depois da quinta música, fez gesto jocoso, do tipo chorando, dizendo que poderia ser a última vez no Rio. Claro que o povo reagiu dizendo que não.

A boa notícia é que, depois do último show morno que rolou na Praça da Apoteose, em 2013, o Whitesnake admitiu a mea-culpa e mostrou a que veio. Desta vez, em vez dos longuíssimos solos instrumentais, a banda foi mais sagaz, distribuindo sutilmente os solos, fazendo com que Mr. Coverdale pudesse poupar sua voz e arriscar seus agudos. Sim, que não são como os de antigamente, mas foram capazes de comandar a plateia com gritos de ordem “Make some f****** noise, Rio”, na clássica “Here I Go Again”, ponto máximo da noite com um público participativo e cantante, deixando o novo guitarrista, Joel Hoekstra, visivelmente surpreso ao ver que brasileiro, sim, pode falar inglês.

Foto: Amanda Respicio
Joel Hoekstra distribuiu solos e carisma para o público brasileiro
Aliás, Joel Hoekstra... Podes crer. O cara é um mix de virtuose e carisma. No solo de guitarra que dividiu com o mais pacato Reb Beach, mandou ver com inserções do tipo flamencas e, por que não, um mise-en-scène digno de qualquer mestre da guitarra.  O Senhor Simpatia fez de tudo para interagir com o público: jogou setlists, distribuiu palhetas, jogou beijos, sorrisos e até paparicou uma senhorinha cadeirante que estava no canto da pista e recebeu toda a atenção. Aliás, não só dele como também de Coverdale. Já o baixista Michael Devin, ao fim do show, percorreu todo o palco tirando uma selfie do público que estava bem à frente.

O tecladista italiano Michele Luppi, novo na line-up assim como Hoekstra, teve uma atuação tímida e, mesmo assim, foi o suficiente para lembrarmos do famoso solo de Jon Lord em "Burn".  O “buona gente” poderia ter ganhado mais espaço na apresentação. Só acho. Já o batera Tommy Aldridge deu um outro show à parte num solo em meio a “Crying In The Rain” com direito a altas expressões corporais. Este verdadeiramente toca de corpo e alma.

Foto: Amanda Respicio
A idade avançada não impediu um show enérgico de Coverdale
Aí, você pergunta? Qual o saldo que resta ao fim deste show de pouco mais de uma hora? A certeza de que uma boa equipe é tudo. Coverdale, mesmo sendo esta lenda do rock, provavelmente, não impactaria atualmente caso não estivesse acompanhado desses músicos da nova safra. Talvez seja este o motivo de ele ainda não ter se decidido se “vai ou fica”. Afinal, como ele mesmo disse recentemente: “Fico mais inspirado a procurar coisas novas no futuro com esses caras. Eles são músicos fabulosos, grandes pessoas”. Fica o suspense.

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