segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ratos de Porão sobre os 25 anos de Anarkophobia: 'disco que representa o final de uma era!'

Foto: Capa de Anarkophobia (RDP)
Capa de Anarkophobia, mais um trabalho assinado por Marcatti
Por Bruno Eduardo

O ano de 1991 não foi marcado apenas pelo grunge. No Brasil, muita coisa acontecia. O Sepultura lançava Arise, o Korzus saía com Mass Illusion e o Ratos de Porão se sustentava de vez no grande mainstream com Anarkophobia. Após o sucesso de Brasil (lançado em 1989), a expectativa dos fãs era enorme por algo parecido. "O Anarkophobia é um disco que vendeu para cacete. Que tinha uma expectativa grande quando foi lançado. Fora isso, a gente tinha uma maior exposição na mídia também por pertencer a uma gravadora grande na época (Eldorado). Mas a gente nunca gostou de se repetir. Por isso o disco veio da forma que tinha que vir", afirma Jão, guitarrista da banda, em exclusiva ao Rock On Board.

Para muitos fãs, Anarkophobia é um divisor de águas na carreira do Ratos por possuir uma maior influência do thrash. Jão acredita que a maior importância do álbum se dá pelo motivo de ser o último trabalho em seqüência de uma formação que marcou história. "Este disco representa o final de uma era importante em nossa carreira. Não sei se podemos dizer que ele é um divisor de águas no aspecto musical. Mas ele é certamente o último de uma fase muito relevante para o Ratos". 

Outro fator importante, é que a partir desse disco a banda passou a conviver com um novo público em seus shows. Além dos fãs antigos, o público headbanger também passou a acompanhar mais os trabalho do Ratos de Porão. "Acho que o nosso público cresceu num todo né?", diz Jão e completa: "Foi perceptível que o público do metal começou a seguir a banda. A molecada do hardcore sempre teve junta e uma parte do público punk, mais maleável, que entendeu qual era do nosso som, também". O guitarrista sabe que a banda perdeu alguns seguidores por se distanciar do punk inicial, mas para ele, isso foi visto de forma normal pelo grupo e não incomodou. "Lógico que teve uma galera mais ortodoxa que torceu o bico para o disco. Mas a verdade é que já estávamos acostumados. Desde a época do 'Crucificados Pelo Sistema', quando a gente apareceu com uma proposta mais hardcore, até mesmo no 'Descanse em Paz', quando trouxemos uma mistura de metal com punk, já tinha gente torcendo o bico. Se a gente fosse esquentar com isso, não faríamos nada de novo, com medo de desagradar alguém".

Em Anarkophobia, a tendência ao metal é evidente. Tanto que foi um disco aclamado na cena banger. Músicas como "Contando os Mortos" e principalmente "Mad Society" trazem os riffs clássicos do gênero, com uma levada mais arrastada que o habitual do Ratos. Para Jão, o fato das músicas serem mais longas, acabou influenciando no resultado final do trabalho. "É evidente que teve uma mudança ali em nossa sonoridade. As músicas tinham uma maior duração, e isso acabou fazendo dele um disco único em nossa discografia". Mesmo assim, o punk continuava presente na mensagem do grupo. É impressionante como algumas letras ainda soam tão atuais. Caso de "Igreja Universal" e "Escravo da T.V.", que até hoje são temas polêmicos nas redes sociais. O guitarrista, no entanto, não vê isso com muita empolgação. "É triste que as letras ainda continuem atuais nos dias de hoje. Isso só mostra que o Brasil parece não ter evoluído tanto. Alguns acontecimentos recentes provam que ainda estamos vivendo um período de alienação completa e lamentável".

Assim como nos discos "Cada Dia Mais Sujo e Agressivo" e "Brasil", Anarkophobia também possui uma versão cantada em inglês. Os formatos traduzidos foram criados apenas para que o público gringo conseguisse entender o que de fato eles estavam dizendo nas letras, já que o tema de protesto era algo que eles não queriam perder. Mas a banda prefere as versões originais, em português. Jão diz: "O problema é que você tem que traduzir algumas coisas que são realmente intraduzíveis. E elas ainda precisam estar encaixadas com a métrica das músicas. Para dizer a verdade, eu não gosto muito dos discos do Ratos em inglês, com exceção do 'Just Another Crime in', que é um disco originalmente em inglês e que não precisou ser traduzido". O guitarrista acredita que se tivesse que fazer isso nos dias de hoje, faria apenas a tradução no encarte mas manteria a gravação com as letras em português, que segundo ele, é o forte do Ratos de Porão.

Na dia 11 de dezembro, o Ratos de Porão vai comemorar os 25 anos de Anarkophobia tocando o disco na íntegra no festival Maniacs Metal Meetings, que acontece na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC), e reunirá nomes como Krisiun, Vulcano, Tuatha de Danann, Violator, Hibria e mais 23 atrações. Fãs de várias cidades como Curitiba (115 km), São Paulo (518 km), Porto Alegre (619 km), Rio de Janeiro (965 km) e Belo Horizonte (1.140 km) já estão preparando excursões.

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