domingo, 24 de julho de 2016

Discos: Discharge (End Of Days)

Foto: Divulgação
No Talo! Discharge volta com disco raivoso e veloz
DISCHARGE
End Of Days
Nuclear Blast; 2016
Por Luciano Cirne


Vamos ver se você descobre. O que é que Anthrax, Napalm Death, Metallica, Machine Head, At The Gates e Soulfly têm em comum, além do fato de tocarem rock pesado? Resposta: Todas elas já gravaram um cover do Discharge. 

Estes britânicos são uma verdadeira lenda viva do hardcore, porém encontravam-se numa situação no mínimo curiosa: Nos últimos tempos pareciam ser uma banda mais respeitada como instituição pelo seu notório impacto e influência do que propriamente ouvida. Os oito anos que ficaram sem gravar material novo aliados ao fato de terem lançado apenas dois discos nessa última década (bem mais ou menos e por gravadoras obscuras) colaboraram para essa incômoda impressão de "semi-ostracismo". Entretanto, a entrada do novo vocalista JJ, o retorno do antigo integrante Terence "Tezz" Roberts (que já foi vocalista e baterista mas, dessa vez, assumiu a segunda guitarra, tornando o Discharge um quinteto pela primeira vez em quase 40 anos) e por fim um contrato com um selo de maior visibilidade (Nuclear Blast) deram um gás novo para seguir em frente e compor material inédito, o que nos leva a End of Days, sétimo trabalho de sua longa carreira.

Apesar de a produção estar mais limpa que nos álbuns anteriores, quem é fã não vai se decepcionar, pois a essência está toda ali: letras minimalistas, distorção no talo, músicas na velocidade da luz e vocais raivosos. Fica até difícil fazer uma análise muito detalhada, porque tudo é bastante homogêneo, se resumindo a uma pancada atrás da outra, sem tempo para respirar. Se mesmo nos momentos mais "melódicos" (entre aspas mesmo) como nas faixas "Infected" e "Killing Yourself To Live", a fúria é latente; quando eles decidem pegar mais pesado então, sai de baixo: "Acessories By Molotov - Part 2", "Looking At Pictures of Genocide" e a metálica "Population Control" são capazes de fazer ouvidos não acostumados sangrarem de tão violentas. 

Também merecem destaque "New World Order" e "Raped And Pillaged", que poderiam muito bem estar em discos clássicos do Discharge como "Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing" e "Hatebomb" (que virou um videoclipe e soa como uma versão ainda mais barulhenta do GBH) e claro, "The Broken Law", com seu lindo refrão gritado "A lei quebrada vai acabar com sua mandíbula". 

Ao todo são pouco mais de trinta minutos muito mais interessantes que 99% das bandas atuais, que fazem trabalhos com mais de uma hora de duração ou mais. Porque como diria Renato Russo, "falam demais por não terem nada a dizer". Eles podem não estar na crista da onda atualmente e nem ter a mesma visibilidade que tinham em 1982, mas End of Days é o som cru e sem rodeios de veteranos fazendo a coisa que eles sabem melhor e sem ter perdido uma gota de entusiasmo e tesão pela música. Simplesmente obrigatório para fãs de punk e hardcore, cartão de visitas fundamental para a galera do heavy metal que só o conhece através dos covers gravados pelos conjuntos citados no início da matéria conhecer uma das principais influências dos seus ídolos e, desde já, presença obrigatória na lista dos melhores de 2016. É sangue nos olhos como há muito não se vê e nem se ouve, coisa linda!

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