sexta-feira, 3 de junho de 2016

Discos: Weezer (White Album)

Foto: Divulgação
Weezer acerta mais do que erra no californiano "White Album"
WEEZER
"White Album"
Sony Music; 2016
Por Luciano Cirne




Comecemos esse review fazendo um breve retorno no tempo até 2014, quando Rivers Cuomo e seus fieis escudeiros enfrentavam um momento turbulento - aturando fãs decepcionados com parcerias malfadadas com rappers e álbuns fracos (Raditude e Make Believe) - e resolveram essas querelas da melhor forma, garantindo a eles "Everything Will Be Alright In The End" ("Tudo Vai Dar Certo No Final", nome do trabalho anterior que você, aliás, pode ler a nossa crítica AQUI), que soou como um reconfortante e sincero pedido de desculpas, sendo bem aceito pelo seu público e dando a impressão de que a fase ruim havia passado e que, como diria o rei Roberto Carlos, daqui para frente tudo seria diferente. 

Não deve ter sido a toa que o novo trabalho foi batizado de White Album. Afinal, é uma cor que remete a paz, renovação e leveza, parecendo até um acendo do Rivers ao seu séquito de admiradores pedindo trégua. Foi uma boa tentativa, sem sombra de dúvida, mas se ele conseguiu pleno êxito em sua empreitada... Bem, aí é uma questão um pouco polêmica.

A coisa já começa estranha na escolha do produtor. Para alguém que em 'Everything Will Be Alright In The End', bradava orgulhoso que não queria ser "um McLanche Feliz" (numa forma de atacar a pasteurização da indústria musical), parece no mínimo contraditório abrir mão da parceria com Ric Ocasek, que tantos bons frutos já rendeu, para investir em Jake Sinclair, que além de ter no currículo exatamente artistas fabricados como Taylor Swift e 5 Seconds of Summer, ainda por cima já havia colaborado com a banda na produção do malfadado 'Raditude'. Com isso, não é surpresa que algumas músicas que apresentavam potencial para virarem hits tenham sido prejudicadas por essa questionável opção de colocar os teclados lá em cima na mixagem em detrimento às guitarras, como em "Jacked Up" e em "(Girl We Got A) Good Thing". 

Outras derrapadas feias são "Thank God For Girls", equivocada escolha para primeiro single, apesar da letra inteligente onde escancara sem meias verdades toda insegurança e medo do abandono que assola a mente de um machão típico; "Do You Wanna Get High?", mais uma música sobre drogas e os problemas com remédios de Rivers e "Summer Elaine e Drunken Dori", esquisita e infeliz releitura de "Lithium", do Nirvana

Mesmo não primando por inspiração, o Weezer consegue agradar na maior parte do tempo sem fazer força. Apesar de não ter absolutamente nada de novo no front, "LA Girlz" (que lembra bastante "Holiday", do álbum azul); "Endless Bummer", com sua introdução suave só na voz e violão e que vem a desaguar na guitarreira típica que ilustra bem a mistura de peso e delicadeza característica do conjunto e "King Of The World" (a melhor do disco), uma singela carta de amor dedicada à esposa de Rivers, Kyoko, são pequenas pérolas que poderiam estar muito bem em seus álbuns clássicos.

O primeiro álbum conceitual do Weezer desde Pinkerton (tudo aqui gira em torno do clima californiano de praia, paquera e curtição, quase como se fosse uma paródia dos Beach Boys, como a faixa de abertura "California Kids" evidencia) tem mais acertos do que erros, mas a sensação que passa no final é a de que eles não queriam levar-se tão a sério e tentaram soar propositalmente como um mix de clichês bregas do rock. 

Comparado ao brilhante trabalho anterior, 'White Album' pode até ser visto como um pequeno deslize, que ainda assim insistiremos em prestigiar. Porque da mesma forma que vamos ao cinema assistir a um novo "Star Wars" sabendo que não terá o encanto de outrora, aguardamos por aquela fagulha de inspiração e magia que impeça o amor de morrer. Hoje a coisa ainda deu liga, resta saber até quando...

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