Discos: Babymetal (Metal Resistance)

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Foto: Divulgação
Novo disco das meninas do Babymetal é divertido e inusitado 
BABYMETAL
"Metal Resistance"
Sony Music; 2016
Por Luciano Cirne


Uma das coisas mais inusitadas surgidas no mundo do rock nesses últimos anos foi a molecada japonesa do Babymetal. Para quem nunca ouviu falar delas, eu as rotularia da seguinte forma: Imagine só se o elenco infantil de "Chiquititas" resolvesse gravar um álbum com canções-temas de desenhos animados japoneses em ritmo de heavy metal e tendo como banda de apoio o Dream Theater(!). E aí, deu para ter noção da insanidade? 

Obviamente, essa mistura de J-Pop, crianças fofinhas e power metal no talo executado na velocidade da luz causou um murmurinho considerável já no seu álbum de estreia (homônimo) em 2014 - tanto para o bem quanto para o mal. Se por um lado o som era muito bem feito, por outro a galera mais xiita torceu o nariz e não conseguiu levar a sério a proposta como um todo por achar que a coisa resvalava no ridículo - algo próximo ao que aconteceu com o Massacration aqui no Brasil. Bom... Nem tanto ao mar e nem tanto à terra. Analisando de forma racional, é claro que tudo parece um pouco bobo numa audição superficial, mas a verdade é que o Babymetal é competente no que se propõe e é muito mais talentoso que centenas de bandas meia-boca com séquitos de fãs apaixonados por aí. Porém no primeiro álbum tudo parecia embrionário e experimental, com se estivessem checando o mercado para ver se tal conceito teria uma boa aceitação. Já nesse Metal Resistance as nuances das músicas expandem a dicotomia pop/metal, gerando um leque sonoro bem mais abrangente e amplo.

O primeiro single "Karate" pode causar uma impressão errada pois é a música mais simples, tradicional e, consequentemente, a mais fácil de assimilar (embora a coreografia das meninas no clipe cause uma incômoda sensação de que estamos assistindo um "Xuxa Só Para Baixinhos From Hell"). No entanto, como citei anteriormente, a palavra-chave que define 'Metal Resistance' é ecletismo. Temos o metal progressivo da faixa de abertura "Road of Resistance"; o divertido ska-punk "Yava!", melhor música do disco e que, como li em uma crítica na internet (não lembro agora em qual site foi, desculpem!), parece "uma daquelas canções de perseguição do desenho do Scooby Doo". Ainda temos "Meta Taro", com sua cadência marcial; "Awadama Fever", repleta de efeitos de sintetizadores; a lindíssima balada levada só no piano e nas cordas "No Rain, No Rainbow"; e a impressionante "Tales of the Destinies", de melodia complexa e forte influência de jazz fusion para mostrar que, independentemente de qualquer coisa, é preciso reconhecer as inúmeras qualidades que o Babymetal tem. Como curiosidade, temos também a faixa de encerramento "The One", a primeira cantada inteiramente em inglês - antes apenas faziam pequenas inserções nas letras em japonês, mas com a aceitação cada vez maior no exterior, isso foi inevitável.

Para se apreciar o Babymetal, é preciso despir-se de preconceitos, pois a realidade é que o som é bem melhor do que parece. Ainda que a produção limpa e lapidada demais deixe um certo ar de armação pairando, é inegável que os músicos de apoio são impressionantes. Além disso, as três meninas vocalistas são competentes (em especial Suzuka Nakamoto - A.K.A. SU Metal), os arranjos são de um bom gosto cada vez mais raro e, o fator crucial, o resultado final é bastante simpático e coeso - ainda mais se comparado ao trabalho anterior. 

O que antes parecia um projeto, agora ganha ares de trabalho sério, mas sem deixar a diversão - marca registrada do Babymetal - de lado. Vale a pena conferir, mesmo que você, assim como eu, não seja muito ligado em heavy metal. Ah, e com certeza funciona como excelente cartão de visitas para introduzir a criançada no mundo do rock!
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