quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Led Zeppelin: Do Pior ao Melhor

Foto: Ilustrativa
A discografia do Led Zeppelin avaliada na série "Do Pior Ao Melhor"
Por Ricardo Cachorrão Flávio

Entrando no embalo do relançamento remasterizado em edições “deluxe” de toda a discografia da banda, iniciado no segundo semestre de 2014 e finalizado há alguns meses, é chegada a hora de dissecar o trabalho da - talvez e muito provavelmente - maior banda de rock and roll da história: o quarteto formado por Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham. É óbvio que este é um trabalho absolutamente passional e sem qualquer isenção. O grande trabalho aqui é ordenar nove álbuns básicos da história do rock, quando se é fã de carteirinha. O nome desta seção pode mudar neste capítulo para: DO BOM AO SENSACIONAL!


 9 'In Through The Out Door' (1979)  
Esse é aquele disco lançado por uma banda que já ganhou tudo o que podia na carreira, que não precisava dar satisfações à gravadora - pois tinham a sua própria - e que passava por sérios problemas. É o disco marcado pelo quase fundo do poço do guitarrista Jimmy Page (de cabeça, corpo e alma na heroína). E que trazia o vocalista Robert Plant se recuperando da dor de perder seu então filho caçula, Karac, aos 5 anos, morto por infecção de um vírus não identificado. O disco trás John Paul Jones dando as cartas, graças aos problemas de Page com as drogas, e é repleto de teclados e sintetizadores, além de influências que os distanciaram do hard rock e do blues característicos, como na faixa “Hot Dog”, um animado country rock! E, mesmo com tanta adversidade, ainda saiu um dos grandes clássicos da banda, “All My Love”, homenagem de Plant ao filho que recém partiu.

 8 'Coda' (1982)  
Sim, esse é um álbum póstumo e cheio de sobras de estúdio. Agora eu pergunto: E DAÍ? Canções pontuais, do blues “I Can’t Quit You Baby”, de Willie Dixon, ao show de John Bonham em “Bonzo’s Montreaux”, tudo nesse disco é gostoso de ouvir, tem groove, tem suingue e tem guitarras, como em “Wearing and Tearing”, que encerra o álbum. Esteja onde estiver, Bonham certamente vibrou com a homenagem de seus amigos.


 7 'Presence' (1976)  
Subestimado. Definição perfeita para o disco de 1976. Pois bem, o Led Zeppelin era a maior banda de rock do sistema solar, vendia discos igual água, destruía hotéis em igual escala, tinha um avião particular, enfiavam pedaços de peixe dentro de groupies. Literalmente, “tocavam o puteiro” no mundo inteiro! Já eram donos de clássicos absolutos do rock, mas todos os seus discos tinham climas diversos, do blues de sempre, do folk e psicodelismo. Depois de Plant se recuperar de um grave acidente automobilístico na Grécia, o grupo decidiu retornar ao  puro hard rock, com muita guitarra e sem frescuras nesse álbum!

 6 'Led Zeppelin' (1969)  
Daqui em diante a coisa fica feia. É realmente impossível colocar numa ordem os seis primeiros álbuns do Led Zeppelin. O álbum de estreia fica nessa posição, única e exclusivamente por gosto pessoal, e por achar que mais de 10 minutos de blues me enchem o saco! Independente dos três blues que não me fazem muito a cabeça, o disco abre com uma cacetada que é “Good Times Bad Times”, e ainda traz a viagem “Dazed And Confused”, que Page ressuscitou de seus tempos de Yardbirds. Tem também a deliciosa baladinha “Your Time is Gonna Come” e a cacetada “Communication Breakdown”. Este é sem dúvidas um dos melhores discos de estreia de todos os tempos!

 5 'Led Zeppelin III' (1970)  
Este disco sucedeu um álbum bem característico de hard rock, que veremos mais à frente, e, surpreendeu público e crítica com uma sonoridade folk e canções esmeradas em sons acústicos. Já bem sucedidos, os quatro rapazes se deram ao luxo de se esconder numa casa no meio do nada, lá no País de Gales, onde puderam se dedicar inteiramente a composição deste trabalho, sem que sofressem qualquer interferência externa. De lá saíram algumas das canções mais belas da história da Zeppelin, como “Friends”, “Tangerine” ou o mais sublime blues de que tenho notícias, “Since I’ve Been loving You”. 

 4 'Led Zeppelin II' (1969)  
Bastaria apenas o riff de abertura do disco em “Whole Lotta Love” para que os fãs se dessem por satisfeitos. Mas não era o suficiente. Em seu segundo disco lançado no mesmo ano, o grupo ainda soltou pancadas como “Heartbreaker”e “Moby Dick”, mescladas com belas baladas, do quilate de “What Is And What Should Never Be” ou “Thank You”. Em seu segundo trabalho de carreira, Page, Plant, Jones e Bonham já davam indícios de que, com o fim dos Beatles se aproximando, o mundo teria outros donos em breve. Sensacional é o mínimo que se pode dizer deste álbum.

 3 'Physical Graffiti' (1975)  
Álbum duplo que foi o primeiro disco editado pelo selo Swan Song, de propriedade da banda. Impressiona desde a capa, de excelente trabalho gráfico, além de um som primoroso. Aproveitando canções que haviam sido deixadas de lado de álbuns anteriores, mescladas com faixas compostas para esse disco, “Physical Graffiti” mostra o ecletismo da banda em várias vertentes, de blues, folk, hard rock, baladas e pelo menos um épico, a monstruosidade que atende por “Kashmir”. Figura fácil em qualquer lista dos maiores discos de rock de todos os tempos.

 2 'Led Zeppelin IV' (1971)  
Disco sensacional de cabo a rabo. Quem não conhece (se mata, né?) pode achar que é uma coletânea. Pois bem, começa assim: “Rock and Roll”, “Black Dog”, “The Battle of Evermore” e “Stairway to Heaven”. Pausa para virar a bolacha. Aí no segundo tempo, vamos de “Misty Mountain Hop”, “Four Sticks”, “Going to California” e “When the levee Breaks”. Pronto, tenha ele sempre com você, não importa o que possam dizer.


 1 'Houses Of The Holy' (1973)  
Sou provavelmente o único cara do mundo a apontar “Houses of the Holy” como o melhor disco da carreira do Led Zeppelin, mas, existe uma explicação e, totalmente passional: o primeiro disco a gente nunca esquece, e foi esse, no distante ano de 1982, aos 10 anos de idade, o primeiro disco da banda que eu comprei. E lógico, foi amor a primeira ouvida. Da abertura com “The Song Remains the Same” ao encerramento com “The Ocean”, encontramos uma banda mais trabalhada e preocupada com a excelência instrumental do que nos primeiros álbuns. Aqui, além do blues e do hard rock já presente anteriormente, a banda ainda incorpora a sonoridade funk, em “The Crunge” e reggae, em “D’Yer Mak’er”. Ainda temos espaço para o épico, nas longas “Rain Song” e “No Quarter” - com destacado trabalho nos teclados e sintetizadores de John Paul Jones. Enfim, isso é um puta álbum!

5 comentários:

  1. Pra mim, o melhor é o 4º álbum!

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  2. houses of the holy tbm é meu preferido!

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  3. Belo texto. Em se tratando de melhor disco do Led eu já mudei de opinião 9 vezes...

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  4. Belo texto. Em Matéria de melhor disco do Led eu já mudei de opinião 9 vezes. eheh.

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