sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Os 40 Melhores Discos de 2015

Foto: Melhores Discos de 2015
Saiba quais foram os nossos 40 discos preferidos de 2015
Uma lista de melhores discos do ano existe para ser contestada, comemorada, repassada e - principalmente - discutida. Não existe lista incontestável, assim como não existe lista sem surpresas e obviedades. Entre gigantes do mainstream e anônimos da cena independente, a equipe do Rock On Board se designou a tratar o gênero sem distinções. Abaixo, separamos os 40 discos que ganharam destaque em nossa redação, separados apenas entre gringos e nacionais. Lembrando que a ordem dos fatores não altera o produto. Divirta-se.

Bruno Eduardo 



INTERNACIONAL


BLUR (The Magic Whip)
Mesmo pouco preocupado em seguir o britpop, "The Magic Whip" traz a mesma pegada que marcou o som do Blur nos anos 90 - fato comprovado nas ótima "Go Out" e "Lonesome Street". No entanto, o longo tempo sem gravar serviu para dar ao grupo confiança em experimentar novas influências, como ruídos e sintetizadores. Fugindo do pop fácil, eles acertaram em cheio com esse ótimo registro.
CHEATAHS (Mythologies)
O segundo disco costuma ser uma prova de fogo para a maioria das bandas. Não para o Cheatahs! Nathan e seus comparsas fizeram um álbum mais coeso que o primeiro e também mais instigante, que pode causar estranhamento num primeiro instante, mas que cresce a cada nova audição. "Mythologies" é a evolução natural do grupo,com seu cardápio para lá de distinto.
ELDER (Lore)
"Lore" pode ser considerado um encontro entre Black Sabbath e Mastodon. O disco possui apenas cinco músicas, mas todas com 15 minutos de duração, onde o peso e a gravidade massacram os ouvidos mais sensíveis. Quem gosta de uma versão mais alternativa de heavy metal e discos de pura testosterona, eis aqui um bom companheiro de estrada.
EAGLES OF DEATH METAL (Zipper Down)
A fanfarronice não tem fim. E se vier acompanhada de música boa, melhor ainda. É mais ou menos isso o que move a dupla Josh Homme (Queens of the Stone Age) e o jornalista e músico californiano Jesse Hughes, que formaram o EODM. Aos desavisados, um aviso: não há nada de death metal em Zipper Down. É puro rock californiano, animado, sujinho e safadinho. 
FAITH NO MORE (Sol Invictus)
O primeiro disco do grupo em dezoito anos foi uma prova de que eles não mudaram tanto desde a sua última reunião em estúdio. Honesto e cheio de boas ideias, "Sol Invictus" consegue ser nostálgico ("Superhero") e exótico ("Black Friday") na medida. Mesmo sem o peso que marcou a carreira em álbuns consagrados, sobraram melodias particulares e habilidade vocal de Mike Patton.
FIDLAR (Too)
"Too" mostra o mesmo poder de fogo dos americanos, só que com muito mais referências untadas a sua música do que o álbum antecessor. É punk dos bons em diversos momentos, mas também cabe algo de country, de pop e de hard rock. Essa mistura bem feita, aliada a uma dose maior de ousadia, faz deste um dos discos de punk mais legais e divertidos dos últimos tempos. 
GHOST (Meliora)
O título do disco vem do latim e significa “melhor”. Nada mais apropriado, já que ele está degraus acima de Opious Eponymous (2010) e Infestissumam (2013). Aqui não tem erro. Para os antigos fãs, há a manutenção da proposta e de algumas fórmulas. Só que "Meliora" traz músicas muito mais elaboradas. Uma delas é “Majesty”, um hard rock clássico 70's com riffs e solos de arrepiar. 
IRON MAIDEN (The Book Of Souls)
"The Book Of Souls" não está relegado apenas ao título de "disco mais longo da história do Iron Maiden". O álbum pode ser visto de duas formas distintas, porém, ambas desaguam na mais pura e límpida fonte do que de melhor existe dentro do heavy metal. Para os fãs antigos, um resgate saudosista. Já para os mais jovens, uma inserção histórica. Ouça a épica "Empire Of The Clouds" e entenda.
LAMB OF GOD (VII: Sturm Und Drang)
“Os últimos anos têm sido estressantes pra caralho para a minha banda. Tempos difíceis fazem bom metal, eu acho”, disse Randy Blythe após lançar esse "VII: Sturm Und Drug". Ele estava certo. Após um tempo na prisão, ele arrastou a banda para um buraco negro jurídico e financeiro, mas acabou conseguindo transformar esse inferno astral em arte amarga e pesada. 
MARILYN MANSON (The Pale emperor)
Seguindo a tendência de seus últimos discos, há flertes eletrônicos, mas em uma quantidade bem menor. O mote de Manson nesse surpreendente trabalho é o blues, que vem sombrio, climático e cheio de levadas para cima. "The Pale Emperor" é Marilyn Manson revestido de rock sofisticado. É disco para se ouvir em becos enfumaçados e festas particulares.   
MEWITHYOU (Pale Horses)
"Pale Horses" é um equilíbrio entre beleza e força, produção e espontaneidade, conseguindo ser bastante emocional. Este é talvez o álbum com mais jeito western da discografia da banda. Com músicas curtas, entre dois e quatro minutos, a criatividade dos arranjos do Mewithyou pode ser comprovada na metamorfose de ritmos, dedilhados e harmonias, “D-Minor”.
NOEL GALLAGHER'S (Chasing Yesterdays)
Levou quatro anos para que Noel lançasse um novo trabalho solo. Valeu a pena. Chasing Yesterday não é uma ruptura de estilo, é uma continuação, mas ciente de que mudanças podem ser bem-vindas. Neste álbum, Noel supera seu primeiro disco e mostra ambição em músicas como "The Mexican", e seus riffs stoner-rock, e a guitarreira de "Lock All The Doors".
REFUSED (Freedom)
Ninguém, nem mesmo o mais ferrenho fã, tinha esperança que depois de lançar algo tão revolucionário, o Refused ainda teria para onde avançar. Mas Dennis e seus comparsas aceitaram o desafio e fizeram um belo disco que, se não é melhor que seu antecessor, é tão bom quanto. "Freedom" é disco para punks inteligentes e de mentes abertas. A emoção é garantida. 
ROYAL THUNDER (Croocked Doors)
O segundo disco do Royal Thunder apresenta uma nova leitura do que foi o hard rock 70's. Selvagem, sombrio e com alguns elementos mais modernos, "Croocked Doors" é um perfeito contraste do metal psicodélico com a voz marcante de Mlny Parsonz. A vocalista brilha em canções fortes como "Forget You" e "The Line". Uma grata surpresa aos amantes do gênero.
SCOTT WEILAND (Blaster)
Essa escolha é mais do que uma menção honrosa. Scott Weiland sempre foi sinônimo de diversão. E "Blaster", último disco gravado pelo cantor é exatamente isso. Nada de firula, nada de grande exibição técnica. É rock’n’roll para festa, para ouvir no carro, para agitar a galera, para ser só entretenimento. Um ótimo tributo aos fãs.
SLAYER (Repentless)
Despedida? Que nada! "Repentless" é uma porrada no ouvido. A capa até causa polêmica em alguns mais religiosos, mas nada perto do violento vídeo clipe da faixa-título. Embora Kerry King mostre palhetadas alternadas e melódicas em algumas passagens, Tom Araya continua vociferando como um cão raivoso. Esse disco é a prova de que o trash metal melhora com a idade.     

SLEATER-KINNEY (No Cities To love)
"No Cities To Love" traz a sonoridade característica do Sleater-Kinney - mesclando surf music, punk rock e new wave com letras engajadas. Muito mais enérgico e para cima do que seu antecessor, este disco desenvolve arranjos firmes e fortes em músicas como "Hey Darling", "Price Tag", "A New Wave" e a faixa título. 
SUPERHEAVEN (Ours Is Chrome)
Você lembra do grunge? Convido-o então a ouvir, comprar, roubar, pegar emprestado ou simplesmente baixar esse "Ours is Chrome", segundo disco do Superheaven. Repleto de canções arrastadas, cheias de distorção e com vocais limpos, está aí uma bolacha viciante, que pode ser representada principalmente pelos drops "Leach", e na faixa que abre o disco, "I've Been Bored". 
SWERVEDRIVER (I Wasn't Born To Lose You)
Dezessete anos após seu último registro fonográfico (o razoável "99th Dream"), o Swervedriver retorna com esse surpreendente "I Wasn't Born To Lose You". Musicalmente, o grupo não demonstrou nenhum esforço em modernizar seu som (ainda bem!) e soltou esse petardo cheio de canções sobre automóveis, estradas, postos de gasolina e afins. Ah, "Red Queen Arms Race" é um dos hinos de 2015.
WOLF ALICE (My Love is Cool)
Assim como Royal Blood, Eagulls e Savages, o Wolf Alice é mais uma da nova geração de bandas britânicas que estão dando o que falar. O lançamento de seu debut foi bastante comemorado nos becos do rock alternativo. "My Love is Cool" é uma obra com pitadas de grunge ("Giant Peach"), mas, essencialmente marcada pela bela voz de Ellie Roswell.   


NACIONAL


BALBA (I Am The Party)
O segundo disco da Balba é indicado para quem acha que rock and roll é pura diversão. Assim como o título sugere, o álbum é levado por uma sonoridade para cima, com riffs à Keith Richards e outras faixas contaminadas pelo rock anos 00's, como em "What a Spectacle Needs". O disco é dividido em dois lados, intitulados da seguinte maneira: "Que a festa comece" e "É hora de ir para casa".
BOOGARINS (Manual)
Pelo menos nas gringas, a psicodelia brasileira atende pelo nome de Boogarins. Citados por tabloides  conceituados como NME e NYT, os goianos seguem em tom refinado após o excelente "As Plantas que Curam", de 2013. Com uma produção menos rústica que seu antecessor, "Manual" é a manutenção de um horizonte lisérgico que vem conquistando vários seguidores no mundo.
CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (Ritmus Alucynantis)
Em seu quinto álbum, o grupo potiguar traz o mesmo rock instrumental versátil e guiado por guitarradas muito bem tramadas. Seja navegando pelo surf rock ("Tsunami) ou amparado por riffs estonteantes ("Charme Chermont"), "Rytmus Alucynantis" é certamente um dos discos mais divertidos do ano.
CIDADÃO INSTIGADO (Fortaleza)
Seis anos após seu último disco de estúdio, o Cidadão Instigado volta com esse ótimo trabalho. "Fortaleza" é daqueles álbuns que eleva a qualidade artística de uma banda. Amparados por arranjos de extremo bom gosto, o grupo mostra um cardápio evolutivo entre rock tradicional e o prog dos anos 70. Faixas como "Ficção Científica" e "Quando a Máscara Cai" servem para comprovar isso. 
DEAD FISH (Vitória)
O primeiro disco com a atual formação conta com pouco mais de meia hora de duração. No caso de "Vitória", menos é mais. Além das canções mais datadas, que imperam pela energia e agressividade ("Obsoleto"), há no disco várias faixas que primam pelo instrumental e cadenciam o ritmo para interlúdios de guitarra e baixo marcantes - como é o caso da ótima "Kryptonita".  
FACÇÃO CAIPIRA (Homem Bom)
A Facção Caipira é mais uma dessas bandas que representam o que há de melhor no rock nacional. O quarteto, que ganhou um upgrade popular após aparição na TV, tratou de desembolsar um álbum com muito rock de quilate setentista, gaita nervosa e letras que parecem extraídas de um diário particular. "Homem Bom" é rock honesto, original e divinamente bem produzido.
FOLKS (Folks)
No que também pode ser considerado uma viagem de volta ao rock rústico dos anos setenta, o homônimo álbum desta banda carioca é nada mais, nada menos do que uma bolacha de puro rock n' roll repleta de riffs e solos de guitarra crocantes. Entre os destaques, estão a chiclete "Muito Som" e os rocks escancarados de "Paralelas Imperfeitas" e "Led".
HELL OH! (We've Got Nothing To Say But A Song)
O disco de estreia do Hell Oh! é uma das coisas mais legais lançadas este ano na cena indie rock / garage rock brazuca. Com referências claríssimas de grupos como The Strokes ("Flag) e Arctic Monkeys ("Hell Oh"), eles conseguiram desenvolver um trabalho coeso e cheio de canções marcantes como "Naked Gun" e a quase surf music, "Out Of Nothing".

KAPITU (Vermelho)
Com a ajuda do ex-Planet Hemp, Pedro Garcia, e do cultuado produtor Chris Hanzsek (Soundgarden, Melvins), o segundo disco da banda Kapitu apresenta um rock fino e recheado de boas melodias. Faixas como "Para Nunca Te Deixar", "Canções Vazias" e "Mais Leve" são provas de que não só de transpiração vive o rock and roll. Aqui, a inspiração é que sopra o barco.   
MACACO BONG (Macumba Afrocimética)
Para tentar se reinventar, o grupo apostou em uma sonoridade retrô, com overdose de dubs e ausência de guitarras. Bruno Kayapy relegou seu instrumento original e optou por dois contra-baixos e um som de bateria quase overall para fazer o disco mais audacioso da carreira. Destaque para os drops grunge: "Afirmativo" e "Olho de Caça".
MAIS VALIA (Mais Valia)
Este álbum homônimo do trio paulista Mais Valia é um prato cheio para quem curte rock experimental. Totalmente instrumental e caprichado nos graves, o disco reserva um cardápio com inclinação ao post rock e ao space rock. Cercado de ambientações densas, há um contraste interessante entre peso e melodia nos climas arrastados de faixas como "Belzebu" e "Mumbai".
NOVELTA (Quintais Abertos)
Vem da Bahia, Feira de Santana, um dos discos mais legais do stoner rock nacional. "Quintais Abertos" retrata a realidade nordestina, carregada pelos riffs musculosos de músicas como "Santa Poeira" e "Êxodo". Além da sonoridade rudimentar que a gravação impôs, há uma forte veia crítica, na proposta. Destaque também para a capa do disco, que resume bem a mensagem da banda. 
PAROLA (A Parte Nublada do Céu)
Essa é mais uma banda da sedenta cena carioca. "A Parte Nublada do Céu" pode ser considerado uma espécie de âmago do rock alternativo - com músicas diretas, vigorosas e cheias de atitude. Pedradas como "Prólogo" e "Calos de Asfalto Quente" são o modelo funcional e diminuto de bandas como Foo Fighters e Incubus - só que com letras carregadas por uma árida poesia.
PLÁSTICO LUNAR (Dias Difíceis No Suriname)
Em "Dias Difíceis no Suriname", a banda sergipana Plástico Lunar bebe nas fontes mais límpidas do rock clássico para flertar escancaradamente com o psicodélico. Porém, ao contrário da maioria das bandas que defendem o gênero, o Plástico Lunar sabe dosar na medida com o pop, gerando assim, pérolas valiosas como  "Mar de Leite Azedo" e "Labirinto". 
SCALENE (Éter)
Novidade para muitos por conta de uma participação em um programa de TV, o grupo brasiliense chegou ao seu segundo disco trazendo o mesmo rock alternativo e cheio de boas ideias. "Éter" é como uma medula de sentimentos e sonoridades. Pode ser batido, original, agradável ou perturbador. Canções como "Histeria", "Legado" e o "O Peso da Pena" resumem a obra com louvor. 
THE KNUTZ (We Are The Monsters)
Que disco lindo! O lançamento de "We Are The Monsters" coloca definitivamente o The Knutz como referência na lista de bandas brasileiras adeptas ao pós-punk. Esse é certamente um dos discos mais legais do gênero lançados por aqui. Se você é fã de bandas como Buzzcocks, The Cure e Bauhaus, recomendo as seguintes: "Where The Souls Dance Free", "BBBatz" e a faixa-título.  
THE OUTS (Marmalade Land)
Elogiados por Noel Gallagher, o The Outs deixou de lado sua origem britpop para conceber esse "Marmalade Land". Seguindo a cartilha de bandas neo-psicodélicas como Tame Impala, eles trouxeram canções bem resolvidas, que chamam atenção pela concepção da proposta. Talvez por ser apenas uma tiragem limitada, eles capricharam bonito - como pode ser visto na climática "Dream Song".
TIPO UÍSQUE (Fly High Tonight Big Wizard)
Aquela banda de rock que coloriu um dos palcos do Lollapalooza em 2012, passou por diversas transformações até renascer esteticamente reduzida como um duo. O resultado dessa nova aposta é uma cartilha baseada em referências batidas - ou até cinematográficas -, porém revestidas de moda estilosa e com pitadas de funky e trip-pop.
VENTRE (Ventre)
Reza a lenda que a sessão de gravação deste disco durou dois anos com passagens em dez estúdios diferentes. Mas parece que valeu à pena. "Ventre" traz um repertório intimista, com músicas que falam entre si. Músicas como a ótima "Bailarina", lembram a proposta introspectiva dos Los Hermanos (fase Bloco). Mas a melhor mesmo é o rock ruidoso, "Quente".
VIVENDO DO ÓCIO (Selva Mundo)
"O Pensamento é um Imã", lançado em 2012, trazia um som mais crú, com influências do indie rock 00. Com a ajuda de Sanchez e Curumin, o grupo baiano apurou os ouvidos e fez desse "Selva Mundo", um trabalho maduro e mais encorpado. Além de músicas de primeiro porte, como "A Lista", há também participações de gente iluste como Thadeu Meneghini (Vespas Mandarinas) e Pepeu Gomes.

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