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Chuva, emoção e pedidos de paz marcam show do Pearl Jam em São Paulo

Foto: MRossi

Por Ricardo Cachorrão Flávio

Apesar dos problemas climáticos, que não chegaram a atrapalhar quase nada, Eddie Vedder, Jeff Ament, Stone Gossard, Mike McCready, Matt Cameron e o tecladista convidado que os acompanha há muitos anos, Boom Gaspar, mostram que com música de qualidade e postura honesta, pirotecnia e efeitos mirabolantes não são necessários para um excelente show de rock. 

A ausência de uma banda de abertura fez com que os quase 20 minutos de atraso não tivessem muita importância, e, com Eddie Vedder vestindo uma camiseta com símbolo da paz estampado no peito e um desenho da Torre Eiffel no bumbo da bateria, o Pearl Jam sobe ao palco “morno”, com duas músicas lentas em sequência, “Long Road” e “Off the Girl”. Foi aí que Vedder fez a primeira, de suas muitas intervenções em português:

"Estamos muito felizes por estar em São Paulo com vocês... E todo nosso amor está em Paris. Temos muito a superar juntos”.

A temperatura do show foi subindo com “Do the Evolution”, “Hail Hail” e “Why Go”, e o tempo começou a virar também, no até então, quente sábado paulistano. Este show do Pearl Jam ainda é parte da turnê mundial que celebra o lançamento de Lightning Bolt, bom disco lançado em 2013, e dele, veio a sequência com “Getaway” e “Mind Your Manners”.

Em “Corduroy” e “Lightning Bolt”, a brisa que aliviava o calor na pista virou um verdadeiro vendaval, derrubando parte do pano de fundo / cenário do palco, assustando banda e produção. 

Enquanto as coisas eram ajeitadas, Eddie Vedder veio à frente e tocou sozinho a balada “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”. Como não poderia ser diferente, toda vez que alguma faixa de Ten é tocada, o público vem abaixo - até mesmo em canções que não fizeram tanto sucesso, como “Deep”. Então o que dizer num mega hit como Even Flow”, que sempre cumpre sua parte com muito pula-pula, fãs ensandecido e performance arrebatadora - com direito a solo cheio de "frescura" de Mike McCready, que desce até a primeira fila da pista com a guitarra nas costas, no melhor estilo Jimi Hendrix de ser. 

Mais uma do último disco, e “Swallowed Whole” antecede a sequência de hits “Given to Fly”, “Jeremy” e “Better Man”. Com a chuva apertando, e o vento aumentando, a banda se retira do palco logo após “Rearviewmirror” e anuncia dez minutos de intervalo para alguns ajustes técnicos.

Repetindo uma sequência tocada dias atrás em Buenos Aires, o Pearl Jam voltou ao palco com a bela “Footsteps”, seguida do primeiro cover da noite, “Imagine”, de John Lennon - que após os acontecimentos de Paris tornou tudo mais emocionante. Nesse momento, Eddie Vedder pediu para que todos acendessem seus celulares. 

Mantendo a mesma pegada, veio “Sirens” do último disco, mas “Whipping”, de Vitalogy, tratou de acabar com a calmaria instalada no Morumbi. Encerrando a primeira parte do show, “Blood” e “Porch” relembraram a fase inicial do grupo.

Para o derradeiro (e longo) bis, a banda começou atacando de “Comatose”, seguida de “State Love and Trust” e a dupla arrasa-quarteirão “Black” e “Alive”. O já conhecido cover de “Rockin’ in the Free World”, do velho e essencial Neil Young, deu o tom do fim, mas ainda teve tempo para “Yellow Ledbetter” e mais um cover, do também essencial Bob Dylan, em “All Along the Watchtower”.

Apesar de toda estrutura “mega” por trás da banda (mega palco, mega público, mega equipamento), o que se vê em um show do Pearl Jam são seis caras no palco tocando rock and roll, puro e simples. Que assim permaneçam.

2 comentários:

  1. Começou morno? Acho que você não acompanha realmente a banda...

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    1. Bom... se "Long Road" e "Off the Girl" são músicas agitadas em algum lugar do mundo, eu ainda não conheço este lugar. Eu acho que são duas baladinhas bem tristonhas, que combinaram com o clima de início do show - MORNO.

      E, para ter essa constatação, não é necessário que qualquer ser vivo "acompanhe realmente a banda", que, por sinal, acompanho desde 1990.

      Obrigado pela leitura e comentário!

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