quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Rock in Rio: Suricato espera fazer um show apoteótico ao lado de Raul Midón

Foto: Suricato
Suricato espera emocionar no palco do Rock in Rio
Por Bruno Eduardo

Considerada uma das bandas mais interessantes do atual cenário, a Suricato mantém acima de tudo compromisso com a arte. Talvez por isso, tenham sido um dos poucos artistas a conseguir unanimidade de crítica e público em sua participação no programa Superstar, da TV Globo. Após um disco lançado em parceria com o Spotify e uma agenda crescente, o grupo se vê bastante reconhecido após ter seu nome incluso no line up do Rock in Rio. A banda se apresenta no último dia do evento e terá a companhia do músico Raul Midón. Em entrevista exclusiva ao Rock On Board, Rodrigo Suricato falou da emoção em se apresentar em um dos festivais mais importantes do mundo, e deu alguns detalhes sobre o que eles estão preparando para o público que for ao Palco Sunset na tarde do dia 27 de Setembro. Por telefone, ele ainda falou sobre a carreira do grupo; sobre a nova cena do rock nacional; e disse que planeja o lançamento de um DVD em breve. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Como vocês receberam a notícia de tocar no Rock in Rio?

No primeiro momento foi meio que um choque, porque todos ficamos eufóricos demais com o convite. Acho que é um sonho de qualquer músico participar de um festival tão importante como o Rock in Rio. Mas num segundo momento, olhando o que está acontecendo no mercado, isso soou como um merecimento, sabe? De ser uma das bandas novas que mais se destacaram nesses últimos anos. Porque muita coisa aconteceu nesse tempo, e nós sempre levamos a nossa proposta de uma forma tangível mesmo. Então a gente ficou muito feliz e nos sentimos merecedores dessa oportunidade, pois estamos trabalhando muito tempo para isso acontecer.

O show de vocês terá a participação do Raul Midón. Como surgiu essa ideia?

A ideia surgiu de conversas nossas com os organizadores do Rock in Rio. Surgiram outros nomes também, mas nenhum encaixava tão bem como o Raul Midón. Primeiro porque ele é um músico incrível, e a condição dele de ser um deficiente visual e ter um outro tipo de percepção o torna muito especial. Quando você o ouve tocando violão, por exemplo, parece que há umas duas ou três pessoas ao invés de um homem só. E ele usa o instrumento de uma forma percussiva também, o que acaba caracterizando ele como um multi-instrumentista. E isso tem muito a ver conosco, pois na Suricato todos acumulam funções em cima do palco. Então acho que vai ficar muito interessante essa mistura.

E como vocês conheceram o trabalho dele?

Nós conhecemos o trabalho do Raul através de um vídeo de uma apresentação dele no David Letterman que viralizou na internet [assista o vídeo AQUI]. Anos depois escutei alguma coisa e curti bastante, também.

No último álbum de vocês, há uma diferença muito grande de pegada. A banda está muito mais próxima do folk americano do que do rock and roll. Como você explica essa mudança?

A percepção das pessoas modifica muito de um lugar para outro. Dessa vez a gente quis fazer um disco diferente do primeiro. Para Sempre Primavera era um álbum muito mais rock and roll, e agora estamos numa fase muito calcada nos violões. Na verdade, a gente queria fazer um disco que não brigasse por atenção, que não tivesse uma masterização que comprimisse tudo, em uma guerra por volumes para poder tocar na rádio. A gente quis realmente fugir disso. Queríamos que Sol-te fosse uma audição gostosa, tranquila de se ouvir e que as pessoas pudessem ir se apaixonando pelas canções aos poucos. 

Mas você concorda que no show vocês soam mais enérgicos? 

Nós temos completa noção disso. É proposital. Nos shows a gente tem que se impor. Normalmente a gente toca em lugares ao ar livre ou de grandes expansões. Então se a gente não se impor, dificilmente conseguiremos ser entendidos. Por isso que dificilmente tocamos em teatros. Pois nos teatros, as pessoas ficam sentadas, e estão preparadas para outro tipo de coisa, e não é o que costumamos apresentar na maioria das apresentações. Mas os nossos shows chegaram num grau de maturidade que estamos satisfeitos. 

Vocês foram uma das primeiras bandas nacionais a lançar um disco em parceria com o Spotify. Como você vê essa nova realidade das plataformas digitais?

Todo esse modelo de música digital, de streaming, está se redesenhando. Muita coisa precisa ser discutida ainda. Falo isso principalmente pelos fatores de remuneração e dos créditos. Por exemplo, não sabemos mais quem tocou nas faixas, ou quem produziu o disco que você escuta. Então ultimamente eu tenho ouvido muitos artistas que eu mal sei o nome. É um tempo muito difícil para quem é autor, produtor. Pois não há mais fichas técnicas como existiam antigamente nos encartes de discos, sabe? Você recebe aquele monte de playlists prontos e não consegue saber quem são aqueles artistas e autores. De qualquer forma é uma relação que está no início. Acho que tudo vai ser discutido. Como as plataformas de streaming precisam dos artistas e das gravadoras, acredito que ainda haverá uma conversa que resultará num denominador comum para ambos os lados.

Mas para Suricato, de um modo geral, essa parceria foi boa?

Claro! Tem muitas pessoas que não viram o programa (Superstar) mas por sugestão do Spotify e de outras plataformas, acabaram conhecendo o nosso som. Então é bacana que os públicos acabam se somando né? O público da TV e aquele pesquisador de música, que não tem o preconceito de pensar que por nossa banda ter saído de um reality show somos como um "ex-BBB". Não é bem assim. Então as plataformas são importantes porque ajudam a quebrar esse paradigma.

Foi bom você tocar nesse tema, pois uma das coisas que eu sempre afirmei ser nocivo para as bandas que tocam no programa é o risco de carregar um fardo desnecessário. Como ser considerada sempre "aquela banda do programa" de forma pejorativa, independente do que venha a fazer no futuro. As pessoas ainda tratam vocês dessa forma... "Como a banda do Superstar"?

Existe menos. Diminui bastante esse tipo de relação. Mas sinceramente não nos incomoda. Mesmo porque, nós talvez tenhamos sido a única banda que saiu da primeira edição do programa que foi sucesso de público e crítica. É importante dizer que depois de muito tempo a televisão revelou alguma coisa que nem todo mundo apedrejou. Nós fomos muito bem recebidos aqui fora. Nós estávamos cientes que não se consegue essa pseudo-unanimidade o tempo inteiro, mas no nosso caso foi boa a resposta. A verdade é que nós ficamos um pouco apavorados quando entramos, porque assistimos o primeiro programa de casa e a ideia de bandas sendo avaliadas por aplicativo, com dois minutos, por pessoas sentadas no sofá não era algo que nos convencia. Lembro de ter ligado para banda e perguntado: será que é isso que a gente quer mesmo? Só que essa foi a nossa própria lição. As bandas precisam sair da toca. Precisam parar de ficar se contentando de tocar para oitenta pessoas. Estamos vivendo uma época de uma geração que não se renovou, sabe? Depois do Los Hermanos há um longo hiato. Então porque o Scalene não pode ser o novo Skank? Porque o Supercombo não pode tocar nas rádios pra caramba como o Ultraje a Rigor tocava? O grande público tem o direito de saber o que está rolando no país em relação a música popular. Acho que a síndrome de underground é o que mais mata bandas geniais que estão por aí.

Você considera uma espécie conservadorismo?

Exato. É normal que as pessoas tenham esse conservadorismo para proteger a arte delas, mas também por medo de se arriscar em outros circuitos. Assistimos esse último programa e a conclusão que nós chegamos é: o que pode ser pior para uma banda de rock do que se apresentar no Cassino do Chacrinha? Nada contra o Chacrinha, que era genial. Mas as bandas da época iam lá e se apresentavam com conceitos completamente diferentes, com palhaços e chacretes passando na frente, pessoas buzinando (risos). Então, qual é a diferença?

Voltando ao assunto Rock in Rio, fale um pouco do show que vocês vão apresentar lá no último dia do festival.

Estamos preparando um show muito bacana. A nossa preocupação é que não seja um show da Suricato e um show do Raul Midón, e sim criarmos um show novo, onde possamos interagir entre as canções. Nós queremos trocar com o Raul e não apenas chamá-lo para uma canja. Estamos pensando numa última música especial, em um  final apoteótico, mas ainda é surpresa.

Tem alguma banda do Rock in Rio que você não quer perder de jeito nenhum?

Eu queria ver o Queens Of The Stone Age, que acho maravilhoso e sou muito fã. Eu estou curioso também para ver o Seal, porque tem um disco dele que eu amo muito e hoje não sei como está o show dele. Elton John e Rod Stewart também, e fora outros nomes que eu não estou lembrando agora.

E tem coisas novas surgindo na Suricato, em termo de músicas?

Na verdade eu já tinha material suficiente para mais um disco. O último processo de gravação acabou me consumindo bastante, e depois que fomos para estrada, começaram a surgir novas ideias, outras situações, e acho que vamos chegar a um novo momento musical muito bacana. A dúvida agora é se gravamos um DVD ou um disco ao vivo. A gente tem muito carinho por essa turnê. Mais provável que venhamos com um DVD ao vivo.

Mas é algo já registrado ou vão fazer um show especial para o registro?

Estamos pensando em fazer um show mesmo.

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