sexta-feira, 27 de março de 2015

DISCOS: THREE DAYS GRACE (HUMAN)

THREE DAYS GRACE

Human

RCA; 2015

Por Lucas Scaliza







O Three Days Grace não é uma banda de rock pesado, mas Human certamente busca ser mais pesado, mais grave e mais agressivo. Não por acaso são muitas as vezes que o estilo vocal de Matt Walst (vocalista da banda desde 2013, substituindo Adam Gontier, agora em carreira solo) e a forma como as guitarras soam densas em refrãos e riffs lembram bastante o Linkin Park.

O quinto disco da carreira da banda canadense (e primeiro com Walst) está bem gravado e bem equilibrado, mas básico. Em grande parte, é baseado em harmonias simples e sujas com efeitos de expressão e modulação a guitarra e o baixo. “Human Race”, a melhor faixa do trabalho – e a única a romper a barreira dos 4 minutos de duração – constrói dessa forma a atmosfera perfeita para sua letra levemente contestadora. E há nessa faixa o único solo de guitarra digno de nota do trabalho, construindo um momento que é sabe ser épico sem ser enfadonho.

Aliás, uma das qualidades a se destacar na forma do Three Days Grace fazer sua música em Human é a não apelação para refrões grandiosos, pensados sob medida para plateias de estádios e festivais, recurso usado à exaustão pelo Imagine Dragons e pelo Fall Out Boy, entre outros. E mesmo assim, a banda sabe fazer refrões capazes de agitar o público.

A agitada “Landmine” é a faixa mais Linkin Park do trabalho e outra em que Barry Stock usa guitarras com distorção e modulação de sintetizador para alcançar um som moderno e ao mesmo tempo dispensar o uso do teclado. Uma ótima sacada, principalmente porque faz a faixa (assim como todo o álbum) ser facilmente reproduzido ao vivo.

Fica uma forte impressão de que, por mais que você goste ou não de Human, o formato disco pode não ser o ambiente ideal para ele. Por ser despojado, sem firulas, o álbum soa como se pedisse pelo palco para mostrar toda a sua real força. Não há inovações ou técnicas tão diferenciadas quanto as que o Three Days Grace e outras bandas de rock contemporâneo já não tenham lançado mão. Contudo, são composições fortes e diretas que fazem muito bem o papel a que foram designadas. É um disco de rock pesado na medida certa para quem não é fã de metal ou não encara pedradas densas de verdade.

Matt Walst, que é irmão do baixista Brad Walst e vocalista da banda My Darkest Days, mostra entrega (até onde é possível) ao interpretar cada faixa e expressar a agressividade que a banda quer a cada faixa. É um vocalista convencional para o estilo, mas bastante eficiente seja nas partes mais melodiosas ou nos momentos de maior intensidade e peso.

Human é um bom disco e tem momentos bem legais, como em “Painkiller”, “I Am Machine”, “Car Crash”, “One Too Many” (a mais comercial do trabalho) e “The End is not the Answer”. No entanto, não é uma surpresa para quem acompanha o Three Days Grace ou bandas parecidas. Se comparado com os novos álbuns de Enter Shikari, Red, Papa Roach [leia resenha AQUI] e do próprio Linkin Park, Human parece seguro demais.

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