sábado, 24 de janeiro de 2015

Fábrica de sucessos: Foo Fighters empolga Morumbi lotado

Foto: Marcelo Rossi

Por Ricardo Cachorrão Flávio

Há vinte e dois anos ele esteve pela primeira vez no Brasil se apresentando neste mesmo palco. Na época, ocupava a posição de coadjuvante e era baterista da maior banda dos anos noventa, o Nirvana. Agora, Dave Grohl volta ao mesmo local como estrela principal da festa. Do Nirvana ao Foo Fighters, "o cara mais legal do rock" diverte - e se diverte - com quase 60 mil aficionados nesta sexta-feira paulistana.

Pela primeira vez no país fora de um festival, Dave Grohl, Nate Mendel, Chris Shiflett, Pat Smear, Taylor Hawkins e - o tecladista que os acompanha em turnê - Rami Jaffe, mostraram merecer o status de “banda grande” em quase três horas de espetáculo, esbanjando simpatia e rock and roll de qualidade.

A noite repleta de surpresas começou logo na abertura, com o escorregão e tombo de Dave Grohl no palco molhado. Não perdendo a compostura, ele levantou rapidamente e mandou ver com “Something From Nothing”, faixa que abre o último álbum da banda - o bom Sonic Highways.

Baseado em um repertório que passa por todos os oito álbuns do grupo, eles executaram hit atrás de hit e mostraram que são afiadíssimos no palco - fazendo a plateia cantar e dançar durante toda a apresentação. Anote a sequência híbrida: "The Pretender", “Learning to Fly”, “Breakout” e “My Hero” - sim, o ex-baterista do Nirvana é uma fábrica de sucessos. Além de todo o status conquistado no Foo Fighters – com qualidade, diga-se de passagem -, Dave Grohl tem tantos projetos, com tantos artistas distintos, que não tenho dúvidas em apontá-lo com um dos mais importantes artistas do rock nos últimos 20 anos. Arrisco ainda a acrescentar Trent Reznor, do Nine Inch Nails e Josh Homme, do Queens of the Stone Age neste time. São três caras diferenciados e acima da média.

Existe muito espaço para descontração num show do Foo Fighters. Como por exemplo, na apresentação da banda feita por Dave, onde cada integrante tocava um trecho de “Tom Sawyer”, do Rush, e Dave Grohl dizia que eles não estavam conseguindo tocar esse som, porque é muito difícil. Já na apresentação do baterista Taylor Hawkins, o grupo recitou um trecho de “War Pigs”, do Black Sabbath - o público comemorouBanda apresentada, mais barulho com “I’ll Stick Around” e “Monkey Wrench”, até Dave empunhar o violão e caminhar pela passarela. No meio da plateia ele ganhou uma bandeira do Brasil e enrolou no pescoço. Disse que além de uma linda bandeira, temos uma linda camisa de seleção de futebol e lindas mulheres no país. Neste mesmo momento, ele chama um fã no palco (Vinicius) e o mesmo pede a namorada (Mônica) em casamento. "Se você quiser casar, vá a um show do Foo Fighters", brinca Grohl, tocando na sequência “Skin and Bones” e “Wheels”.

Mais um momento de descontração com todos os integrantes reunidos na passarela - no meio do público - e vários covers agitam a noite: “Detroit Rock City”, do Kiss, “Stay With Me”, do Faces, “Tie Your Mother Down”, do Queen, com Dave na bateria e Taylor assumindo os vocais e “Under Pressure”, também do Queen, e David Bowie.

Banda de volta ao palco principal, Dave brinca e diz que é hora de tocar música do Foo Fighters e “All My Life” é executada. Depois de outros sons, é tocada uma versão bem esticada de “Best of You”, com todo o público cantando - até mesmo depois da música acabar. “Chega, parem de cantar, esta música já acabou”, ele ordena. 

Everlong” encerra a noite, de forma grandiosa - com Dave Grohl prometendo voltar em breve. Será um prazer revê-lo.

Foto: Marcelo Rossi

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