segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

DISCOS: THE SMASHING PUMPKINS (MONUMENTS TO AN ELEGY)

THE SMASHING PUMPKINS

Monuments To An elegy

EMI; 2014

Por Lucas Scaliza






O Smashing Pumpkins é uma banda que carrega o estigma de ser reconhecida sempre como “uma banda do rock alternativo do anos 1990”. O que faz todo sentido, pois é justamente nessa época que encontramos seus álbuns mais clássicos. Mas o grupo seguiu em frente.

Após o fraco Zeitgeist (2007), já com o vocalista e guitarrista Billy Corgan carregando praticamente sozinho o nome da banda, o grupo lançou em 2012 Oceania, que conseguiu atualizar a proposta da banda, mantendo as características que são mais importantes no som do Smashing Pumpkins. O disco também marca o início de uma trilogia chamada Teargarden by Kaleidyscope. Agora, no apagar das luzes de 2014, Corgan lança o segundo capítulo dessa série, Monuments To An Elegy.

São nove músicas, a maioria com apenas 3 minutos e alguns segundos de duração. Basta meia hora para ouvi-lo inteiro. Não possui toda aquela pompa e pretensão de Oceania ou de um Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995), mas é direto, cheio de guitarras e flertes com sintetizadores - o que o faz soar eletrônico em alguns momentos. Não há mais o som da distorção Tube Screamer, mas Corgan soube atualizar o timbre das guitarras deixando-os encorpados. “Tiberius”, que abre o disco, é um bom exemplo de como a banda está soando agora.

O termo 'banda' só pode ser usado em relação às apresentações ao vivo. Billy Corgan gravou todos os vocais, guitarras, baixos, teclados e sintetizadores do álbum. Jeff Schroeder ficou responsável pelas guitarras também e contrataram Tommy Lee, baterista do Mötley Crüe, para gravar as baterias. E diga-se de passagem, Lee fez um ótimo trabalho.

Ser visceral e ser sentimental são os dois elementos que destacaria como os mais interessantes na composição de Billy Corgan ao longo da carreira. Era essa combinação que destacava o músico nos anos 90 e acredito que é o equilíbrio dos dois em Oceania que fez a banda voltar a ser comentada e ter álbuns esperados pelos novos e antigos fãs. Monuments To An Elegy, afinal, combina de forma bastante pragmática as duas características e mantém a boa fase do grupo.

A balada “Being Beige” é forte, com boa linha melódica e letra de final de romance. “Anaise!” é a primeira que se beneficia amplamente de sons eletrônicos, mas não perde nunca sua veia orgânica. Já “Run2me” é uma sentimental faixa eletrônica que mistura bateria eletrônica bate-estaca com a bateria de Tommy Lee e as guitarras e Schroeder.  “One And All” e “Anti-Hero” são guitarreias e resgatam a técnica de guitarras sobrepostas que marcou a sonoridade do grupo. Para fã nenhum colocar defeito. “Drum + Fife” e suas várias partes compõe uma das canções mais legais do álbum. “Dorian” também merece menção como uma das melhores do trabalho.

No geral, Monuments To An Elegy é um disco de passagem. Um bom disco de passagem, é bom notar. Sua curta duração e sua objetividade contrasta com a ambição de Oceania e pode indicar que trata-se de uma preparação para o disco Day For Night, que deverá ser mais longo e mais complexo e será lançado em 2015 para concluir a trilogia Teargarden by Kaleidyscope.

Corgan e sua banda desembarcam no Brasil em março de 2015 para o Lollapalooza 2015. Além dos clássicos, deverão apresentar ao público as canções desses dois discos mais recentes e, quem sabe, alguma coisa inédita de Day For Night, que ainda não tem data para chegar ao mercado.

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