sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Jake Bugg 'debuta' no Rio e leva fãs ao delírio

Foto: Vinicius Pereira
Menino prodígio: Jake Bugg brilhando no palco do Citibank Hall (RJ)

Por Bruno Eduardo

Com apenas 20 anos de idade e dois álbuns completos já no bolso, Jake Bugg é considerado uma das maiores revelações da música internacional nos últimos anos. Não estou falando apenas em termos de sucesso comercial - mas criticamente, também; o jovem músico de Nottingham, vem sendo saudado na gringa como um novo Bob Dylan.

Na verdade, a voz de Bugg possui mais inflexões de um Alex Turner (Arctic Monkeys) do que própriamente de Robert Zimmerman. No palco, a carranca fechada lembra ocasionalmente o líder do Oasis, Liam Gallagher. Naturalmente, Bugg não pode controlar o hype que se forma em torno dele, mas nessa turnê nacional, ele se mostra mais capaz de viver com isso. 

Diferente de sua performance no Lollapalooza Brasil (em março desse ano), dessa vez Bugg parece trazer ao país um (in)significante traço de emoção sincera ou sinceridade apaixonada - que não em outrora. As meninas coladas na grade - como mostramos na imagem abaixo - demonstram que Bugg, tímido - ou blasé - como de costume, determina um menor distanciamento entre o sentimento mútuo da paixão (dos fãs) e a responsabilidade em representar algo que ele ainda busca entender. 

Foto: Vinicius Pereira

Musicalmente, Jake Bugg pode ser considerado um pequeno gênio. O ótimo Shangri La (2013) trouxe uma rara habilidade em untar referências diversas. Os ingredientes passam pelo indie, folk, country, britpop, rock e blues. O repertório escolhido por Jake para essa turnê parece ser o ideal - levando em consideração que ele muda pouco (ou nada) de um show para o outro. "Seen It All " traz sua visão convicta sobre o desânimo juvenil; "Kingpin" é talvez a melhor coisa que o Oasis poderia ter feito se decidissem voltar como uma banda de verdade; "Broken" é uma balada comovente; e "Slumville Sunrise", com sua pegada Arctic Monkeys, demonstra um quê do rock britânico atual. 

Com tantas influências explícitas, a grande sacada desse moleque prodígio é manter um distanciamento limítrofe entre ser e o querer ser. De todo modo, a receptividade da platéia parece conduzir Jake Bugg ao caminho certo. Basta apenas ele saber - ou querer - escutar.

0 comentários:

Postar um comentário