domingo, 2 de novembro de 2014

Echo & The Bunnymen sofre com som ruim e não volta para o bis; público vaia

Foto: Guilherme Carvalho
Echo & The Bunnymen no Rio: frustrante para ambos os lados

Por Bruno Eduardo


A expectativa por uma noite memorável era enorme. Não por menos: a banda acabou de lançar o seu melhor disco em muitos anos (Meteorites) e vem repetindo bons repertórios na atual turnê. O problema é que quando uma coisa tem que dar errado, ela dá. E não há fundamentos que modifiquem o seu desfecho. 
Infelizmente, essa é daquelas noites - no mau sentido da palavra.  

Com pouco mais de uma hora de apresentação, vaias ecoaram na Fundição Progresso. O grupo se recusava a voltar para o bis - frustrando aqueles que esperaram mais de oito anos para vê-los em solo carioca. Um final melancólico para a tão sonhada noite de reencontro com um dos maiores nomes do pós-punk mundial. Da banda original, sobraram apenas Ian McCulloch e o guitarrista Will Sergeant - curiosamente, os dois integrantes que iniciaram o projeto no ano de 1978, quando ainda se apresentavam com um duo.  


Desde os primeiros minutos, a insatisfação de Ian McCulloch era evidente. Atordoado com o que estava ouvindo, o líder do Echo & The Bunnymen se dividia entre o microfone e seu assistente de palco. Ao todo, foram três músicas dedicadas ao roadie - com conversas ao pé do ouvido e dedos apontados para o retorno de voz. Com tantos problemas técnicos iniciais, não é exagero afirmar que o grupo acabou fazendo uma passagem de som (soundcheck) durante a apresentação. 


Mesmo que a qualidade de som não fosse das melhores, ninguém poderia reclamar do repertório. Pérolas classudas como "Over The Wall" ou "Bring On The Dancing Hearts" estavam lá; assim como a manjada versão para "People Are Strange" dos Doors; e mais algumas de seu mais novo - e ótimo - disco. Na tentativa de superar todos os percalços técnicos e uma banda apática, alguns fãs até que cantaram alto músicas como "Seven Sea" - do excelente Ocean Rain (1984) - e "The Killing Moon". Mas era tarde. Ian McCulloch já tinha jogado a toalha com meia hora de apresentação. 

Game over para os fãs.

Foto: Guilherme Carvalho

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