quinta-feira, 27 de novembro de 2014

DISCOS: RANCID (HONOR IS ALL WE KNOW)

RANCID

Honor Is All We Know

Epitaph Records; 2014

Por Luciano Cirne






A verdade infelizmente precisa ser dita: o Rancid gravou a obra-prima And Out Come The Wolves em 1995, mas depois deste, nunca mais lançou nada tão brilhante. Muitos acharam que isso era compreensível e, de certa forma, inevitável, pois de uma banda que já tinha gravado seu melhor disco (isso para não dizer o melhor CD de punk / hardcore dos últimos tempos), não dava para esperar que mantivessem o mesmo nível.  É o mesmo que os fãs do Helmet esperarem sempre por novos “Meantimes” ou fãs do Weezer esperarem por novos “Pinkertons”; garantia de decepção. Porém, seu fraquíssimo trabalho anterior Let the Dominoes Fall, além de ter passado batido, já mostrava sinais claros de esgotamento criativo e certamente deve ter acendido a luz de alerta entre os integrantes do Rancid, fazendo com que eles buscassem inspiração no já citado “And Out Come The Wolves”. Prova cabal disso é a faixa de abertura, a sintomática “Back Where I Belong”, uma porrada rápida e seca que deixa claro que não só a banda como o vocalista / guitarrista Tim Armstrong - que nos últimos tempos lançou trabalhos bem diferentes do punk rock habitual (caso do bem sucedido projeto Transplants, além de ter composto músicas para a cantora pop Pink) - estão de volta às raízes.
Aliás, as quatro primeiras faixas de Honor Is All We Know são uma sequencia matadora que dão até uma impressão errada de que estamos diante de um novo álbum clássico da banda (“Collision Course”, a melhor do CD, parece uma sobra de estúdio das sessões do “And Out come...”), mas da quinta música em diante, fica a incômoda impressão de que estamos ouvindo os mesmos sons ad infinitum, de tão parecidos. 
A falta de criatividade é tão evidente que nota-se que eles andam tendo dificuldades até para terminar as músicas. Várias acabam de modo tão abrupto que causam uma estranha sensação de “É só isso?” - caso da pouco inspirada faixa-título, “Diabolical” e “Gravedigger”. Para piorar, é notório que Tim Armstrong nunca foi um bom vocalista, mas aqui ele abusa do direito de desafinar e sair do tempo, o que torna a audição ainda mais penosa. Parecendo estar ciente disso, em diversos momentos ele alterna os vocais com o baixista Matt Freeman (que também canta mal demais) e com Lars Fredericksen. Mas isso é muito pouco para salvar o resultado final. 
Ao final, a sensação é a de que “Honor is All We Know” foi gravado com má vontade, por exigência contratual ou até mesmo para ganhar um troquinho extra, o que não é nenhum crime mas, para o Rancid, é MUITO pouco. Para quem era sistematicamente comparado com o The Clash, é bem provável que este disco acabe sendo o seu “Cut The Crap”...

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