sexta-feira, 3 de outubro de 2014

No Rio, Franz Ferdinand desfila competência em show interativo

Foto: Luciano Oliveira
Alex Kapranos não é político, mas se quisesse poderia muito bem adotar o discurso "Você me conhece!". Afinal, o Franz Ferdinand está em sua sétima passagem no Brasil. A quarta no Rio de Janeiro, onde fez shows memoráveis no Circo Voador e na Fundição Progresso. Dessa vez o palco era Vivo Rio. E mais uma vez a banda fez uma apresentação que ficará guardada na memória dos fãs. 
O Franz Ferdinand está no Brasil para a divulgação do seu novo disco, o bom Right thoughts, right words, right action (2013). Na mesma noite em que os candidatos a presidência buscavam alguns votos a mais para a eleição de domingo, centenas de jovens e muitos não tão jovens assim ignoravam o debate na TV para rever um líder no qual eles confiam e conhecem muito bem o trabalho. No Vivo Rio lotado não há índice de rejeição para Kapranos (voz e guitarra), Nick McCarthy (guitarra), Bob Hardy (baixo) e Paul Thomson (bateria). A aprovação é de 100% e o amor e respeito é mútuo.  
O show começou quente. Depois de abrir com “Darts of pleasure”, o grupo emendou com o clássico “Dark of matinée” - ambas do primeiro disco da banda, “Franz Ferdinand” (2004). Ao todo, foram oito músicas do álbum de estreia dos escoceses, mas se enganou quem pensou se tratar de uma noite completamente nostálgica. O Franz Ferdinand dedicou boa parte da 1h50min de show ao novo álbum, despejando também oito das dez canções de “Right thougths, right words, right action”. Tudo sem deixar a temperatura cair, mostrando que o disco tem uma boa aceitação entre os fãs. 
Evil Eye” e duas músicas de “You could have it so much better” (2005) - o sucesso “Do you want to” (quando os fãs puderam cantar à vontade “Lucky, lucky/you’re so lucky”) e “The Fallen” - mantiveram o nível alto da apresentação.
Em “Right Action”, o público surpreendeu Kapranos ao erguer cartazes com as palavras "right thoughts, right words, right action", que compõem o refrão da música. Antes disso, porém, foi o próprio cantor que deu um presente e tanto para um fã. No meio do show, ele parou para ler alguns cartazes pedindo músicas. Mas um deles era mais ousado. Um jovem queria tocar com a banda no palco.  
Como bom democrata, Kapranos improvisou uma votação com o público e diante do sim unânime, o jovem Edu foi autorizado a subir ao palco. 
- Você quer tocar essa guitarra? - perguntou Kapranos apontando para a própria guitarra. 
- Sim - respondeu Edu. 
E juntos tocaram “Tell her tonight”. Quem diria, o jovem Edu até que mandou bem, e de quebra se tornou uma das atrações da noite, saindo do palco ovacionado após o sonho realizado. 
Completando dez anos de estrada, o Franz Ferdinand parece viver um momento de auge. O Rio é um lugar amado pelo grupo e Kapranos lembra que levou "tempo demais" para voltar para esta "bela cidade". Sua ultima visita foi em 2010, durante a turnê de Tonight (2009). O público carioca parece concordar que a ausência foi muito longa, e talvez por isso tenha ignorado o salgado preço dos ingressos e lotado o Vivo Rio. Afinal, o show desta noite nada mais é que diversão garantida. 
No bis, Kapranos prepara a despedida com “Goodbye lovers and friends” (“é triste ter que deixa-los”). Mas ainda não era o fim. Faltava cumprir uma última missão. E assim o Franz Ferdinand termina o show com a incendiária “This Fire”.
Em 24 canções, o Franz Ferdinand repassou tudo o que de melhor fez na carreira. E ainda se deu ao luxo de deixar de fora músicas como “Lucid Dreams” ou “Bite Hard”- deixando a sensação que poderia tocar por mais meia hora ali sem que banda e plateia perdessem o pique. 

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