sábado, 9 de agosto de 2014

SHOWS: BLACK LABEL SOCIETY (CIRCO VOADOR)

Foto: Bruno Eduardo

Por Bruno Eduardo

Pessoas vestem blusas rasgadas, jeans com caveiras, usam cruzes, correntes nos punhos. Parece uma reunião de motociclistas. 

Embora poucos apostassem, o Black Label Society pode sim lotar uma casa como o Circo Voador. Em meio à crise financeira dos roqueiros, a casa vendeu todos os lotes de ingressos disponíveis. A tripulação é enorme e fiel - todos dispostos à prestar continência ao eterno ex-guitarrista do Sr. Ozzy Osbourne. O grandão parece ter moral por aqui.  

Atrás de um pedestal de caveiras e correntes, com um terço enrolado a um enorme crucifixo, lá está ele! Zakk Wylde ergue sua guitarra e destila riffs cavalares, ultra-pesados, em alternância com harmônicos. Embora não seja um show de Ozzy, não é exagero afirmar que qualquer uma de suas composições cairia bem no vocal do Mr. Madman - ainda mais se levarmos em consideração discos como Down To Earth (2001) e Black Rain (2007). Em entrevista recente, Ozzy chegou a dizer que o motivo da saída de Wylde seria uma possível duplicata nas propostas: "Chegou uma hora que eu não via diferença entre o som de Ozzy e do Black Label Society" - afirmou o lendário cantor do Sabbath.

Com o Black Label Society, Zakk encaixa uma dinâmica sonora que por muitas vezes lembra um Alice in Chains (em sua fase mais metal). Mas não é só pedrada. Em "In This River", por exemplo, ele mostra que não é apenas um craque da guitarra e utiliza-se de um teclado elétrico - diferente do piano de calda apresentado em 2012. Individualmente, vale ressaltar também o baterista Jeff Fabb. Utilizando a técnica do pedal de bumbo como poucos, ele impressiona pela condução da locomotiva pesada que é o som do Black Label Society - Jeff entrou na banda ano passado. 

A apresentação termina ao som de "Stillborn", do disco The Blessed Hellride (lançado em 2003), que na versão de estúdio possui Ozzy nos vocais. O show do Circo Voador serviu para mostrar que o Black Label Society - na estrada há mais de quinze anos - já anda no Brasil pelas próprias pernas. Se em outras oportunidades (com exceção de 2012) o grupo veio acompanhando de Ozzy Osbourne, hoje, tem autoridade para encher qualquer casa de shows do país. Já Zakk Wylde - o cara que ficou famoso pelo solo épico de "No More Tears" e pelos harmônicos robóticos de "Perry Mason" - pode gastar um show praticamente solo, fritando sua(s) guitarra(s) por minutos, sem hit radiofônico e sem bis para o povão. 

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