terça-feira, 15 de abril de 2014

Focus faz show cinematográfico em casa lotada no Rio

Thijs Van Leer e o baterista Pierre Van Der Linder (Foto: Bruno Eduardo)
Por Bruno Eduardo

Ao assistir Thijs Van Leer, do alto de seus 66 anos de idade, tocando quatro instrumentos quase que de forma simultânea e emitindo notas vocais que mais parecem um teclado sintetizador, cheguei a seguinte conclusão: realmente, o mundo não precisa mais de bandas novas fazendo rock progressivo. Não tem como ir além de um horizonte que se esvaiu em sua própria falta de barreiras. Bandas atuais (que se autodenominam prog rock) quase sempre se perdem na própria tecnologia - com excesso de efeitos e inclusão de elementos eletrônicos – ou confundem feeling com um virtuosismo sem alma. Quer ouvir progressivo? Vá à fonte. Baixe uma discografia inteira de bandas como Rush, ELP, Yes, King Crimson e tantas outras dos anos setenta e esqueça tudo que foi lançado pós 90. Ah, e principalmente: assista a um show do Focus. 

Apropriando-se de uma casa com lotação máxima, o grupo neerlandês não hesitou em vasculhar sua origem - dando ao público versões cinematográficas de músicas como “Eruption” e ”Aya-Yuppie-Hippie-Yee”.  A formação é a mesma de dois anos atrás, quando a banda veio ao país pela última vez. Da velha guarda, o vocalista, flautista, tecladista e faz-tudo, Thijs Van Leer, e o baterista Pierre Van Der Linder lideraram com maestria os “novatos” Billy Jacobs (baixista), e o excelente guitarrista, Menno Gootjes. Mesmo que em alguns momentos pareça até uma apresentação solo do vocalista Thijs Van Leer, o show é repleto de epopeias instrumentais. “Sylvia”, a mais conhecida de todas, pode ser considerada um pilar do rock progressivo. Já a versão ultrarrápida de “Hocus Pocus”, serviu para provar que a energia do baterista Pierre Van Der Linder ainda não foi afetada pela idade.

No final, uma série de solos individuais esfriou um pouco a apresentação - do qual teria espaço ainda para duas faixas de seu mais novo álbum, X, lançado em 2012: “Birds Come Fly Over (Le Tango)” e "All Hens On Deck". Mas nem precisava. Como foi dito antes, o público quer beber na fonte – que deve estar perdida em algum vale europeu dos anos sessenta/setenta. Provavelmente perto da Catedral de Estrasburgo. Showzaço.

[Matéria publicada originalmente por Bruno Eduardo no Portal Rock Press]

0 comentários:

Postar um comentário