terça-feira, 5 de novembro de 2013

DISCOS: Cage The Elephant (Melophobia)

Foto: Divulgação
CAGE THE ELEPHANT
Melophobia
RCA; 2013
Por Bruno Eduardo


A ramificação dos anos noventa. Nos dois primeiros discos, o Cage The Elephant soube conceber com muita perspicácia, um rock garageiro cheio de transpiração grunge. Certa sonoridade, somada a presença de palco juvenil do quinteto, causou frisson na molecada – comprovado aqui no Brasil com uma apresentação enérgica no Lollapalooza 2012. Em seu terceiro disco, Melophobia, o grupo de Kentucky se desgarra das ‘guitarradas’ e entra de vez em uma colcha de retalhos sonora, que beira a algo já utilizado nos mesmos anos noventa por grupos como Blur, por exemplo.

Em Melophobia, o Cage The Elephant trabalha em território cheio de excentricidades. Contando agora com a inclusão de novos instrumentos (principalmente pianos e metais), eles abusam de ruídos e sonoridades curiosas – às vezes lembram Flaming Lips, em sua fase mais pop. E assim como Wayne Coyne, Matt Schultz também parece ter sido contaminado por essa insanidade contextual – fato constatado em músicas como “Hypocrite”, ou no refrão distorcido do primeiro single “Come Little Closer”. 

Se em Thank You, Happy Birthday (lançado em 2010), o Cage The Elephant chegou a ser comparado com Pixies, seu novo rebento, Melophobia, desmente todas as referências [principalmente no que diz respeito ao grunge]. Hoje, o grupo se tranca em uma gaiola cheia de experimentações sonoras – distanciando-se de vez do mainstream. Ao ouvir novas composições como “Black Widow” – um garage-psicodelico destemido -, fica a certeza que a essência não foi perdida. Caberá apenas aos seus fãs mais ardorosos, decidir se seguirão a banda nos becos do garage rock – porque é para lá que eles querem voltar.

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