quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

ENTREVISTA: BILLY GOULD (FAITH NO MORE)



Não existe nesse mundo alguém que melhor represente a história do Faith No More do que o baixista Billy Gould. Membro fundador e co-empresário da banda, Billy também ficou conhecido por ser o principal porta-voz do grupo. O baixista foi o único a emitir nota oficial sobre a separação, em 1998, e continua sendo um dos únicos integrantes a falar sobre a banda (seja com fãs ou imprensa). Além do FNM, Billy teve participação fundamental na história do Brujeria, e gravou discos com Jello Biafra (Audacity Of Hype) e Harmful. Hoje, Billy Gould administra um selo independente, o Koolarrow, e veio recentemente à América do Sul com o seu outro projeto, Talking Book. Confira abaixo a conversa que tivemos com o simpático líder do Faith No More. 


Billy, o Faith No More fez uma apresentação inédita no Chile, com Trey Spruance tocando o álbum King For A Day Fool For A Lifetime na íntegra. Mas para frustração dos fãs, o show não foi televisionado. Vocês pretendem usar esse material comercialmente?

Nós iremos fazer algo com ele! Por isso não foi liberado. Só não tenho certeza ainda de como iremos trabalhar esse registro. Mas será lançado de alguma forma para os fãs.

Existem vários álbuns no mercado com edições especiais, incluindo LP, livros e raridades. Os fãs de Faith No More gostariam de ver algo parecido com os discos Angel Dust ou The Real Thing, por exemplo. Parece que o Faith No More ficou um pouco abandonado pela gravadora, não?

Bem, sinceramente eu acho que há até muitas compilações nossas no mercado. Mas realmente, nenhuma dessas edições especiais tem a ver com a banda, e sim com a nossa antiga gravadora. Como a banda ficou separada por muito tempo, nós não nos preocupamos muito com isso, talvez hoje, eu até tenha outra ideia sobre isso, mas o certo mesmo é que basicamente, eles podem fazer o que quiserem. Os deixamos bem livres para lançar qualquer coisa.

Então o Faith No More não possui mais nenhum contrato de fidelidade com qualquer selo/gravadora?

Não. O Faith No More é livre agora.

Já você, possui um próprio selo. Aqui no Brasil, e certamente no restante do mundo, há um crescente interesse de fãs e bandas pelo Koolarrow. Como funciona a seleção?

O Koolarrow é totalmente DIY (do-it-yourself). Eu seleciono as bandas, lido com a promoção, a distribuição, faço a coisa toda. Por isso, talvez, eu prefiro limitar o número de artistas e de liberação. A verdade é que não tenho tanto tempo para acumular projetos de maiores proporções. Então me vejo quase sempre focado em uma coisa por vez.

Podemos dizer então que o Talking Book é o seu projeto atual?

Este é definitivamente "um" projeto atual. Atualmente, eu posso dizer que escrever e tocar baixo são os meus grandes pontos fortes, reais mesmo. Eu amo literatura, e escrevo quando posso. O Talking Book tem sido uma ótima maneira de me expressar, e fazer a minha música de uma forma diferente. Embora eu goste de trabalhar principalmente com material físico

E como foi tocar no Chile?

Foi muito, muito divertido. Porém, eu tenha achado que as pessoas ficaram um pouco surpresas com o que viram.

Em que sentido?

Não sei dizer. Acredito que os meus fãs estão acostumados em me ver fazendo algo mais frontal, musicalmente falando. 

Falando em projetos, como surgiu a ideia para o vídeo de "Trouble in My Soul", com o Mexican Dubwiser?

O vídeo foi uma idéia do Sr. Dubwiser, Marcelo. Eu o conheço há bastante tempo, e ele me disse que gostaria de trabalhar uma versão de "Stripsearch" do Faith No More, no estilo cumbia. Fiz um loop do teclado para ele, e colocamos alguns toques de baixo, guitarras, uns metais, e ele tirou um som legal. Eu gosto da maneira como ele interpretou a canção. Ficou diferente do original, mas eu adorei o resultado.



Voltando a falar sobre Faith No More. Mike Patton disse em outra ocasião que o grupo terminou em 1998 num clima ruim. Podemos dizer que o tempo curou possíveis feridas?

Sim Bruno, eu diria que é verdade. Muitas das questões que tínhamos na época da separação ainda existem, mas hoje nós conseguimos levar melhor as coisas. Acredito que após tantos anos, hoje temos mais vontade de diminuir qualquer diferença. A questão não é exclusivamente profissional como possa parecer, há uma tentativa mútua de aparar esses obstáculos.

Hoje, o que você acha da importância do Faith No More para essa nova geração? Há quem diga que o grupo influenciou o nu-metal... 

Nossa! A música do Faith No More é muito diversificada. Na verdade, eu nunca entendi totalmente o motivo das bandas de nu-metal gostar tanto dos nossos discos. Mesmo porque, Angel Dust não tinha só músicas pesadas! Há um monte de música pop lá também! É realmente difícil dizer quem pode ou não gostar do Faith No More. Qualquer um poderia gostar de nossa música. Ou não!

Por falar nisso, Angel Dust é o seu disco favorito do Faith No More?

Não. Eu gosto de como ele foi lançado na época. Gosto do jeito que ele saiu, e do que fizemos com o sucesso dele. Então para mim, falando só por mim, cada álbum tem o seu próprio charme.

E qual é a situação atual do Faith No More?

Não sei exatamente. É sério!

Billy, obrigado por sua gentileza em conversar conosco. Esperamos ansiosamente por uma nova visita ao Brasil.

Sim, eu estou esperando também. Eu amo o Brasil, e fico sempre feliz de voltar!

Ano que vem haverá o Rock in Rio no Brasil. O Faith No More poderia vir, não?
(Risos) Eu não sei nada sobre isso! Então não poderia falar.

[Matéria publicada originalmente no Portal Rock Press]

0 comentários:

Postar um comentário